O segredo de Pedro Proença para ganhar sempre

Pedro Proença apresentou a sua candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Na sua vida ganhou todas as batalhas e nesta ameaça voltar a fazê-lo. Qual o segredo?

O segredo de Pedro Proença para ganhar sempre

Pedro Proença apresentou a sua candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Na sua vida ganhou todas as batalhas e nesta ameaça voltar a fazê-lo. Qual o segredo?

1.

Pedro Proença anunciou a sua candidatura à Federação Portuguesa de Futebol.

Na verdade, só faltava formalizar, mas como aconteceu sempre na sua vida, Pedro deixou que toda a gente falasse de si, que toda a gente mostrasse os seus trunfos para, inteligentemente, fazer a sua jogada e aproximar-se do xeque-mate.

2.

Pedro Proença é uma personagem fascinante.

Um vencedor que divide as águas entre os que o seguem e admiram, os que o temem e os que o detestam ou mesmo odeiam.

Foi o melhor árbitro português da história, mas os benfiquistas (como eu) continuam a falar de um golo validado ao FC. Porto em pleno Estádio da Luz.

3.

Filho de médicos e de uma família burguesa e privilegiada, Pedro Proença nunca precisou do futebol para ganhar dinheiro ou estatuto.

Quando chegou a árbitro internacional, e começou a levar a arbitragem mesmo a sério, teve de ir contra a opinião dos amigos mais próximos – o que raio vais fazer nos campos de futebol se com menos de trinta anos já és um gestor tão bem-sucedido?

4.

Pedro tinha jogado andebol e adorava desporto.

Meteu-se na arbitragem para ser o melhor.

E foi o melhor – apitou a Final de um Campeonato da Europa e a final de uma Liga dos Campeões.

E quando percebeu que não iria apitar a final do Campeonato do Mundo de 2014 – ficou-se pelas meias-finais – despediu-se da arbitragem.

5.

Um ano depois aceitou ir a jogo e disputar a liderança da Liga de Clubes que estava absoluta e fatalmente falida.

Disseram para não avançar por que Luís Duque iria ganhar de certeza, mas Pedro avançou e conquistou uma larga maioria silenciosa.

Em menos de dez anos transformou a Liga de Clubes e tornou-a rentável, poderosa e extremamente influente.

Pedro foi a única pessoa capaz de juntar em plena guerra os três presidentes dos clubes grandes na mesma mesa.

E foi o único líder a liderar uma tomada de posição de todos os clubes profissionais com exceção dos três grandes.

Por vezes dividiu para reinar, outras vezes multiplicou para que todos reinassem.

6.

Colocou agora a si próprio o desafio de liderar a Federação Portuguesa de Futebol.

Têm-no acusado de tudo numa campanha negra nunca vista, mas Pedro fez o que sempre fez e é o que sempre foi.

Frio e pragmático.

Gestor e conhecedor do futebol.

Tático e estratégico.

Ambicioso e inteligente.

É assim, Pedro Proença.

E sendo-o tinha de dividir as águas – afinal, somos portugueses e faz-nos sempre impressão quando alguém ganha sempre ou quase sempre.

No futebol mais ainda.

Se nem Cristiano ou Eusébio são consensuais por que raio seria Pedro Proença?

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