Como devem ter notado, foi uma enorme complicação e sarilho a marcação da penúltima jornada da Liga Portugal.
É certo que há ainda tanta coisa por decidir e todos os pormenores contam.
Também não deixa de ser verdade que há algo incontornável: os regulamentos têm de ser cumpridos.
Mas, na hora da verdade, ninguém cedeu um milímetro.
A Comissão Permanente de Calendários que junta clubes e televisões usou de toda a diplomacia possível – merece um Prémio Nobel da Paciência – mas foi insuficiente.
Todos os clubes teriam de estar de acordo com as alterações propostas e isso não aconteceu.
O Sporting não concordou que o Sporting de Braga jogasse no dia seguinte ao Famalicão e, por isso, todos os desafios vão ser à mesma hora e no mesmo dia.
Os regulamentos são claro: partidas que envolvam promoções, despromoções, primeiro lugar, apuramento para a Taça da Liga e acesso às competições europeias têm de ser realizadas ao mesmo tempo, a menos que os clubes decidam de forma diferente.
Nesta penúltima jornada apenas dois jogos podiam ser mudados, porque não mexem com a classificação de terceiros e, por isso, vão ser jogados no domingo.
O campeão nacional, FC Porto defronta, na Vila das Aves, o já despromovido AVS.
Também o Alverca e Estoril, porque têm a sua classificação definida.
O imbróglio disto tudo estava no Sporting de Braga que joga, amanhã, com o Friburgo o acesso à final da Liga Europa, num jogo que vai acabar a um quarto para a dez da noite.
Cumprindo o prazo das 72 horas de intervalo entre jogos, isso obrigaria todos as partidas do campeonato a começarem a um quarto para as dez da noite de domingo, o que seria impensável.
A solução proposta passaria pelos bracarenses aceitarem que o Estrela da Amadora/Famalicão – os famalicenses ainda podem, matematicamente, chegar ao quarto lugar – fosse jogado um dia antes do Benfica/Sporting de Braga.
No entanto, isto não agradou ao Sporting que temia que os bracarenses entrassem em campo, na Luz, sem qualquer objetivo desportivo e, por isso bloquearam a solução proposta.
Vamos, por isso ter uma febre de segunda-feira à noite.
Lembro que Benfica e Sporting, ambos com 76 pontos, discutem o segundo lugar que dá acesso à Liga dos Campeões da próxima temporada.
Os encarnados garantem o segundo lugar se ganharem e o Sporting perder. É a única forma de termos uma decisão já nesta ronda.
Sporting de Braga, com 57 pontos e Famalicão, com 52 pontos, discutem o quarto lugar que dá acesso à Liga Europa.
Os arsenalistas até podem perder e garantir esse quarto posto. Era este o receio do Sporting em permitir que os jogos das equipas minhotas fossem em dias diferentes.
Temos, por fim, a luta pela manutenção que envolve Nacional da Madeira, Estrela da Amadora, Casa Pia e Tondela.
Duas destas equipas vão garantir a permanência, uma outra vai ao play off e apenas uma irá descer de forma direta.
São 180 minutos decisivos para muitos clubes. Dois jogos, seis pontos que podem fazer toda a diferença numa temporada longa de nove meses.
A mim o que me faz confusão é ter-se demorado tanto tempo para tomar uma decisão final.
A pressão da televisão que detém os direitos da maior parte dos clubes da Liga Portugal – a Sporttv – é legitima porque querem ver o seu investimento rentabilizado.
Mas, percebendo o que a casa gasta, e feitos os primeiros contactos, a Liga devia ter avançado com a marcação dos jogos para segunda-feira, como aconteceu, e sem perder muito tempo.
Marcar os desafios a cinco dias de acontecerem não é bom para ninguém, nem para os clubes, nem para a logística, nem, principalmente, para os adeptos.
Mas isso, como sabemos, já não é nenhuma novidade.