Um dia a casa vem abaixo!

O Anuário do Futebol Profissional Português revelou um conjunto de números impressionantes. Os passivos são monstruosos e, na liga principal, apenas onze das SAD’s deram lucro. Já na Liga 2, o panorama é ainda pior.

Um dia a casa vem abaixo!

O Anuário do Futebol Profissional Português revelou um conjunto de números impressionantes. Os passivos são monstruosos e, na liga principal, apenas onze das SAD’s deram lucro. Já na Liga 2, o panorama é ainda pior.

Quem se limitasse a ler o comunicado da Liga Portugal sobre os dados financeiros que estão no Anuário do Futebol Profissional Português, referente à temporada 24/25, até podia chegar à conclusão de que estamos perante uma indústria pujante e sólida do ponto de vista financeiro.

Explica o documento, publicado na sexta-feira, que as receitas globais foram cerca de 1.100 milhões euros.

O futebol representou 0,32% do PIB nacional. Pouco mais de 950 milhões de euros.

Criou mais empregos e pagou mais impostos.

O número de espetadores nos estádios cresceu para os 4,4 milhões. Uma subida de quase 20%.

O mercado de transferências, no contexto internacional, gerou receitas de pouco mais de 630 milhões de euros, o que representou uma subida de quase 50%.

Como diria o outro, o problema são os detalhes. E são mesmo!

O passivo das sociedades desportivas da liga principal até diminuiu em 2%, mas tem números, perdoem-me a palavra, obscenos.

O passivo das SAD’s da Liga Portugal era, na temporada 24/25, de 1,775 milhões de euros.

Repito porque podem não ter percebido a real dimensão da tragédia: MIL SETECENTOS E SETENTA E CINCO MILHÕES DE EUROS!!!!

Uma brutalidade.

65% destas empresas têm capitais próprios negativos. Ou seja, a diferença entre aquilo que devem e o que têm. Entre o passivo e o ativo. É negativo. Estão basicamente falidas!

Repito: 65% das SAD’s da Liga Portugal estavam FALIDAS na temporada 24/25!

Não fossem a transferências de jogadores e a participação nas competições europeias, para alguns, e a situação era ainda mais complicada.

Apenas onze apresentaram resultados líquidos positivos. Deram lucro.

Se o panorama na liga principal é este. Na Liga 2 é ainda pior, o que, também, não é novidade, já que as receitas são muitíssimo inferiores.

Conheço presidentes que costumam dizer que a diferença entre a primeira e segunda liga são três milhões e meio de euros.

É a diferença entre o que recebem da televisão numa e noutra divisão.

Na segunda divisão do nosso futebol profissional, o passivo global é ligeiramente superior a 160 milhões de euros, tendo subido cerca de 7%, o que representa um novo máximo.

As dívidas a fornecedores e os financiamentos contribuem decisivamente para estes números.

As receitas globais chegaram aos 44 milhões de euros.

E apenas uma. Repito, apenas UMA das sociedades desportivas teve resultados líquidos positivos. Ou seja, DEU LUCRO!

Metade delas estão falidas, porque têm resultados próprios negativos.

A Liga 2 é um filme de terror.

Não espanta, por isso, que equipas que jogavam a liga principal e que desceram, em dois anos estejam a lutar desesperadamente para não caírem para a Liga 3.

Reconheço que o futebol em Portugal é uma atividade importante.

Os grandes números provam isso mesmo.

Mais do que isso, é uma atividade que tem muitos clientes.

Os portugueses gostam de futebol e, principalmente, gostam dos seus clubes, mas a gestão que alguns deles estão a fazer no presente não dão grande margem de manobra para o seu futuro.

É impossível continuar a ter passivos desta dimensão.

Muitas destas sociedades, noutra atividade, já tinham fechado portas.

Já tinham falido!

Era bom que também os adeptos percebessem isto.

Bem sei que as finanças não é um tema sexy para quem vibra com a contratação daquele craque ou com a marcação daquele golo ou com a conquista daquele título. Mas um dia a casa vem abaixo. Isso é mais do que certo.