Uma festa na primeira pessoa

Hoje não vou falar de futebol, mas da festa do futebol. Vou falar das emoções que ontem vivi e de como, ao mesmo tempo, revivi algumas das finais que mais me marcaram. São estes os momentos que nos marcam para toda a vida.

Uma festa na primeira pessoa

Hoje não vou falar de futebol, mas da festa do futebol. Vou falar das emoções que ontem vivi e de como, ao mesmo tempo, revivi algumas das finais que mais me marcaram. São estes os momentos que nos marcam para toda a vida.

Ontem, quando acabei o relato do Sporting/Torrense, e enquanto assistia à festa dos jogadores, treinadores e adeptos da formação do Oeste, dei por mim a pensar nas muitas finais que já tive oportunidade de acompanhar, no Estádio Nacional.

Não me lembro muito bem quantas foram – terão sido cerca de 20 – nem quais foram, mas lembro-te muitíssimo bem daquelas que me marcaram para o resto da vida e que ainda hoje recordo, até com pormenores incrivelmente presentes, apesar da passagem do tempo.

Lembro-me tão bem, mas tão bem mesmo, da primeira que fiz, em 1989, na qual o Belenenses bateu o Benfica, por 2-1, com o golo decisivo a ser marcado por Juanico, num livre direto que entrou no ângulo esquerdo da baliza defendida por Silvino, recentemente desaparecido. Eu relatei esse golo!

Os azuis eram treinados pelo brasileiro Marinho Peres e os encarnados, por Toni que tinham acabado de ser campeões nacionais. Foi o último troféu ganho pelo Belenenses. Já lá vão 37 anos.

Já neste seculo XXI, em 2012, recordo-me da vitória da Académica, a segunda da história, frente ao Sporting. O único golo do desafio foi marcado por Marinho que é agora meu colega, comentador na rádio e televisão.

Os estudantes eram treinados por Pedro Emanuel e contavam com Cédric Soares e Adrien Silva que estavam emprestados pelos Leões e que, na época seguinte, passariam a ser figuras principais da formação de Alvalade.

Em 2018, fiz o relato da final que terminou com a vitória do Desportivo das Aves – o original – num jogo marcado pela invasão da Academia de Alcochete, que tinha acontecido uns dias antes e que condicionou decisivamente a prestação dos Leões treinados por Jorge Jesus e que tinham Bruno de Carvalho como presidente. Alexandre Guedes que este ano subiu de divisão com o Marítimo, foi a grande figura do encontro ao marcar os dois golos dos avenses.

Isto para não falar da vitória do clube do meu coração, o Vitória de Setúbal, em 2005, frente ao Benfica. Manuel José e Meyong foram os autores dos golos dos sadinos.

São memórias inesquecíveis. Memórias que guardo com muito carinho. Memórias que ontem revivi, outra vez, assim que o jogo terminou e que olhei para o meu lado direto, onde estava a falange de apoio do Torrense.

Para os adeptos dos grandes clubes, habitados a tudo ganharem, esta crónica de hoje pode ser estranha, demasiado emocional, mas para quem é adepto de um clube, digamos que mais modesto, sabe bem do que estou a falar. Percebe cada palavra.

A festa que presenciei e contei em 1989, em 2012, em 2018 e agora em 2026.

A festa que vivi, na primeira pessoa, com os meus familiares e amigos, em 2005, depois de andarmos anos e anos a ouvir falar das conquistas da superequipa do Vitória nos anos 60 e 70, é uma coisa única. Inexplicável!

Foi em tudo isto que pensei ontem, depois de ter relatado o golo de Stopira. Foi em tudo isto que pensei

quando o jogo acabou. Foi em tudo isto que pensei quando o autocarro chegou a Torres, com batedores da GNR à frente e atrás. Foi em tudo isto que pensei quando vi aquele Carnaval antecipado.

Que momentos únicos e sublimes! Para mim, não foi mais uma final, foi uma das que me vou recordar, e que um dia vou querer contar aos meus netos.

Foi um dia para a história. Isso ninguém me pode tirar.

A mim, aos jogadores, treinadores, dirigentes, sócios e adeptos do emblema azul-grená.

Principalmente ao Senhor António Bento que há 70 anos – agora com 88 anos de idade – esteve no Jamor e que desta vez pôde fazer a festa!

Como ele, hoje, deve estar satisfeito depois da prenda que recebeu!