Vamos começar por fazer um pequeno ponto de ordem à mesa!
A seleção portuguesa não era a pior equipa do mundo quando empatou com a República Democrática do Congo, nem passou a ser a melhor depois de vencer a formação do Uzbequistão.
Vamos ser claros, para que não restem dúvidas. A seleção de Portugal, treinada por Roberto Martinez e constituída por alguns dos melhores jogadores do mundo é muito melhor que os dois adversários e devia ter ganho ambos jogos, mas não o conseguiu porque, frente aos africanos, não foi suficientemente competente.
Podem dar as voltas que quiserem. Podem dizer que há quem não queira que a seleção ganhe. Podem queixar-se do ruído que vem de fora. Podem dizer o que quiserem que, para mim, esta é a realidade e a realidade é sempre indesmentível.
No jogo com o Congo, a seleção portuguesa foi incompetente!
Ontem, frente à formação da Ásia Central, os jogadores portugueses fizeram bem o seu trabalho. Fizeram aquilo que sabem fazer. Nem mais nem menos. E, como não podia deixar de ser, quando isso acontece, o desfecho acabou por ser o normal e natural. Portugal ganhou, chegou aos quatro pontos e está apurado para a fase seguinte, tal como era expetável.
Ontem, a seleção nacional foi uma equipa rápida, focada, pressionante e a reagir rapidamente à perda da bola, ao contrário do que tinha sido no jogo de abertura com os congoleses.
Até parecia que estávamos a ver o jogo de um outro conjunto de jogadores, mas não! Eram os mesmos, até porque o treinador de Portugal limitou-se a fazer apenas duas alterações: Rúben Dias, já recuperado de um problema físico, jogou no lugar de Tomás Araújo, também tocado e João Félix rendeu Bernardo Silva por questões estratégicas.
O que mudou? A forma como os jogadores abordaram o jogo. Apenas isso. Desta vez não recorreram permanentemente aos irritantes passes para o lado a uma velocidade de tartaruga. Quiseram jogar para a frente e quando assim é tudo se torna mais simples.
Na ressaca do jogo da semana passada ficamos, também, a saber que os jogadores não gostam de ser criticados. Pois, ninguém gosta! Eu fico furioso quando alguém diz mal de mim e do meu trabalho. Fico doente. Odeio cometer erros, mas há que lidar com isso quando acontecem, porque incha, desincha e passa. Aos jogadores de Portugal, se me permitirem, e não ficarem aborrecidos, deixo o mesmo conselho. É saber lidar e seguir em frente.
Uma última nota para a prestação de Cristiano Ronaldo que ontem voltou aos golos pela seleção, após 10 jogos. Repito! 10 jogos sem marcar em grandes torneios internacionais. O último tinha sido no mundial do Catar, há quase quatro anos, quando fez o terceiro golo, de grande penalidade, na vitória frente ao Gana, por 3/2. De bola corrida, teremos de recuar até ao europeu de 2020 que se realizou no ano seguinte por causa da Covid 19, quando CR7 marcou, em Munique, frente a Alemanha, numa derrota por 4/2.
Ontem vimos o Capitão – com letra grande – a ser isso mesmo: Capitão! A movimentar-se e a dar linhas de passe aos seus companheiros. A jogar e a fazer jogar, porque a qualidade não tem idade e ele continua a ser um dos melhores de sempre, mas tem de o provar em todos os jogos, tal como todos nós o temos de fazer diariamente nas nossas profissões.
Isto não tem nada a ver com gratidão ou admiração.
E agora? Agora temos de manter este nível exibicional e ganhar à Colômbia porque se formos segundos no grupo K, vamos jogar, em Toronto, no Canadá, e o mais certo é termos de defrontar a Croácia na primeira eliminatória da fase seguinte e, depois, nos oitavos de final, temos uma forte possibilidade de jogarmos com a Espanha e isso ninguém quer. Pelo menos para já.