Imagem de “Terra Média” entre o panóptico e a manosfera
Fotografia promocional de Louis Theroux: Netflix

“Terra Média” entre o panóptico e a manosfera

Óculos da Meta, o caso Anthropic e o controlo de idade: tudo sinais de que, cada vez mais, vivemos na era do Panóptico. À boleia do novo documentário de Louis Theroux, entramos por dentro da "manosfera".

Imagem de “Terra Média” entre o panóptico e a manosfera

“Terra Média” entre o panóptico e a manosfera

Óculos da Meta, o caso Anthropic e o controlo de idade: tudo sinais de que, cada vez mais, vivemos na era do Panóptico. À boleia do novo documentário de Louis Theroux, entramos por dentro da "manosfera".

Pelo mundo fora, são crescentes os sinais de que a vigilância em massa se está a tornar uma realidade. As tecnologias podem fazê-lo facilmente e alguns governos veem com bons olhos essa hipótese de instalar um Panóptico, dispositivo que tudo ouve e tudo vê. O conceito aplicado por Jeremy Bentham assenta em dispositivos arquitetónicos institucionais baseados em “vigilância central”, que permite que alguns guardas observem todos os detentos sem serem vistos, a partir de uma torre central.

O Panóptico foi, mais tarde, estudado por teóricos como Michel Foucault, cujo texto seminal “Vigiar e Punir” defende que o dispositivo da vigilância e disciplina faz com que a visibilidade se transforme em armadilha.

Em 2026, no entanto, há quem ache esta vigilância uma boa ideia. É o caso da Ministra de Assuntos Internos do Reino Unido, Shabana Mahmood, que sugeriu que o conceito poderia ser estendido à sociedade em geral: “Acho que existe um grande espaço para aproveitar o poder da IA ​​e da tecnologia para nos anteciparmos aos criminosos”, disse ela.

🔗 Ministra “sonha” com Panóptico movido a IA – Irish Legal News (21 de janeiro)

Outros sinais deste elogio à vigilância encontram-se na utilização dos óculos da Meta, no cessar da utilização da Anthropic pelo governo norte-americano, ou o controlo de idades com dados biométricos em vários sites.

🔗 Meta processada por preocupações de privacidade com Óculos IA – Techcrunch (5 de março)

🔗 Pentágono surpreende Silicon Valley banindo a Anthropic – The Hill (3 mar)

Entretanto, à boleia de um novo documentário do acutilante Louis Theroux, mergulhamos na Manosfera – o mundo dos homens, rapazes na sua maioria, que defende a supremacia masculina, apoiados por redes tóxicas e influencers supostamente bem-sucedidos.

Num mundo que vive pululado de tratados sobre os tech bros, a verdade é que há um movimento bastante preocupante online que já ultrapassa a realidade online. Um estudo da Kings College, com uma amostra que contém 23 mil pessoas de 28 países foi publicado na semana passada e revelou que um terço dos homens da geração z têm visões mais conservadoras do que os homens dos anos 60.

🔗 ⅓ dos homens da ger Z concorda que a mulher deve obedecer ao homem – site do KC (6 mar)

O novo documentário do Louis Theroux, INTO THE MANOSPHERE, ajuda a perceber como é que o ambiente digital onde jovens rapazes crescem vai moldando as suas perceções.

🔗 Solidão masculina – nova epidemia ou uma crise muito antiga? – Psychology Today (jul 2025)

🔗Já toda a gente fala incel – Wired (25 fev)

Como é normal nos submundos digitais, à medida que uma tendência vai crescendo, é comum que o vocabulário se vá adaptando, fazendo nascer novas palavras muito específicas a essa realidade. No mundo da manosfera, não será incomum ouvir as palavras “looksmaxxing” (otimizar a aparência física), “mogging” (ser o “macho alfa” do grupo”, ou “red-pilled” (quem toma a red-pill do “Matrix”, está desperto para a manipulção promovida pelas mulheres) – esta última bastante mais antiga, uma espécie de conceito fundador do movimento.

Para recomendações semanais, escute o episódio do Terra Média.