Um psicólogo que gosta de política, dois cientistas políticos a tentarem compreender a loucura dos nossos tempos. “O Mundo no Divã” é o novo podcast da Antena 1, com episódios novos às sextas-feiras, que pode encontrar nas plataformas de streaming. O psicanalista Nuno Mota modera a conversa entre dois especialistas em política internacional – Joana Ricarte e Daniel Pinéu –, olhando a atualidade através de um prisma tão político quanto psicanalítico.
A ideia nasceu em “discussões animadas de café e jantar” entre as três vozes que ouvimos agora no podcast. Tornou-se mais relevante, dizem os autores do programa, perante “uma mudança drástica e personalística, de caráter mesmo narcísico, da política mundial”. Esta é uma proposta possível para “digerir os nossos sentimentos face a tamanha incerteza e incongruência” desse panorama, um conceito que parece pouco ortodoxo mas que talvez não o seja assim tanto:
Foi assim que surgiu a ideia de colocar o mundo no divã. Um conceito que não podia era estar mais dentro da caixa nos tempos em que vivemos, quando precisamos tanto recuperar a dimensão humana, seja da (psic)análise do comportamento e ação dos líderes mundiais, seja das pessoas que vivem e experienciam o resultado da guerra, da competição, da retórica belicista, desumanizadora e, sobretudo, de indiferença, seja de nós mesmos, que temos que lidar com toda a panóplia de sentimentos que tudo isto nos gera.
Nuno Mota, Joana Ricarte e Daniel Pinéu definem “O Mundo no Divã” como “um formato mais livre”, tanto pela amizade já estabelecida entre os três, como pela amplitude com que olha para a conjuntura política: não “compartimentando” os assuntos ou fazendo uma “simplificação episódica, como se não estivessem enquadrados num percurso histórico e num processo estrutural”, mas olhando-os de “uma forma mais holística e dinâmica”.
Troca-se a espuma dos dias pela “expansão analítica”, mais ampla, que visa estimular “um pensamento reflexivo nos ouvintes, que possam junto connosco pensar criticamente o mundo, desconstruir ideias pré-concebidas e imaginar o futuro”