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Gostava de ser um cavalo marinho e carregar filhos na barriga

O amor vai hoje passar por aqui. A história de um animal que, no fundo do mar, todas as manhãs se encontra para uma dança. O que podíamos aprender com os cavalos marinhos.

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Gostava de ser um cavalo marinho e carregar filhos na barriga

O amor vai hoje passar por aqui. A história de um animal que, no fundo do mar, todas as manhãs se encontra para uma dança. O que podíamos aprender com os cavalos marinhos.

1.

Sou muito amigo das três mulheres com quem casei, estamos na vida uns dos outros, acompanhamos os nossos fracassos e sucessos.

Fomos refazendo a vida, mas nenhum de nós gostaria que não tivesse corrido bem.

Sim, casei três vezes embora não me orgulhe disso.

Sempre quis ser como um cavalo marinho.

Conheces a dança que fazem todas as manhãs?

Conheces a forma como o casal se cumprimenta assim que desperta? Um no outro, colados, como se estivessem a escutar, como se estivessem todos os dias a conhecer-se?

Algumas vezes, nessa dança de namoro perpétuo, mudam de cor.

2.

Não sou um conservador.

Aceito todos os modos de amar, mas se pudesse escolher desejaria ser o cavalo marinho que apenas conhece um único amor.

Eles são mesmo assim.

Quando se juntam nunca mais um ou outro aceitará outra dança e nunca mais aceitará mudar de cor ou carregar outros filhos que não sejam os desejados na primeira das danças.

É muito bonito quando encontramos uma ilusão que é para a vida, uma paixão que nunca abdica de ser um sonho a dois, um sonho que nos transforma.

3.

Gostava de ser um cavalo marinho e carregar filhos na barriga…

… como eles.

Ela transfere os ovos para a bolsa dele e é lá que acontece a fertilização.

Centenas de bebés fertilizados pelo que dança.

E ela sempre atenta ao que ele faz, obsessiva com os pormenores da gestação, a perguntar-lhe sem palavras se está tudo bem.

No fundo do mar há exemplos que bem podíamos levar para a nossa vida.

Tantas vezes não dançamos.

Tantas vezes passamos por aqui sem uma dança, sem uma cerimónia de agradecimento pela pessoa que temos ao lado.

Tantas vezes bastava-nos ser um bocadinho como os cavalos marinhos que todas as manhãs se encontram como se fosse a primeira manhã das suas vidas.

Tantas vezes recusamos mudar de cor por acharmos que não é possível mudar de cor.

Não aches que não é possível.

Vê-os a dançar.

E dança.

Texto e programa de Luís Osório


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