“Tive uma boa vida, só fiz o que quis.” A frase é de Júlio Pomar, dita pouco antes de morrer (em 2018) e ecoa como síntese de um percurso artístico marcado pela liberdade e pela recusa de concessões.
No ano em que se assinala o centenário do seu nascimento, esta reportagem da jornalista Isabel Meira revisita a vida e a obra de um dos maiores nomes da arte portuguesa do século XX que considerava que “um quadro, para além de ser mulher ou cavalo ou limão” era, sobretudo, “energia vital”.
Do primeiro quadro vendido a Almada Negreiros, em 1942, à vitalidade criativa que manteve até aos 90 anos, Júlio Pomar atravessou mais de sete décadas de experimentação: pintura, desenho, gravura, cerâmica, escultura, assemblagem, poesia e até letras para fado.
Na reportagem “Um quadro, para além de ser mulher ou cavalo ou limão” escutamos a voz e o pensamento de Júlio Pomar, através de excertos de entrevistas realizadas por Igrejas Caeiro em 1958 no Rádio Clube Português (Arquivo RTP), João Almeida, Luís Caetano e Paulo Alves Guerra da Antena 2 e Helena Vaz da Silva em 1988 (entrevista cedida pelo Centro Nacional de Cultura). A voz de Pomar cruza-se também – entre outros – com as memórias de Teresa Martha, que durante 40 anos viveu com o pintor entre Lisboa e Paris.
Mais do que uma evocação biográfica, esta é uma viagem sonora ao pensamento de um criador para quem, como resume Teresa Martha, “a vida foi pintar”.