Imagem de José Mourinho “fugiu” do funeral de Artur Jorge e “escondeu-se” como se fosse criança

José Mourinho “fugiu” do funeral de Artur Jorge e “escondeu-se” como se fosse criança

No dia em que se despediu de Artur Jorge deu-lhe a nostalgia. Quis regressar a casa, mas por impulso comprou bilhete e foi ver o Vitória de Setúbal-Sintrense. A história de um dia triste, mas bonito para José Mourinho.

Imagem de José Mourinho “fugiu” do funeral de Artur Jorge e “escondeu-se” como se fosse criança

José Mourinho “fugiu” do funeral de Artur Jorge e “escondeu-se” como se fosse criança

No dia em que se despediu de Artur Jorge deu-lhe a nostalgia. Quis regressar a casa, mas por impulso comprou bilhete e foi ver o Vitória de Setúbal-Sintrense. A história de um dia triste, mas bonito para José Mourinho.

1.

Tinha vindo do funeral de Artur Jorge.

É bem capaz de lhe ter dado para a melancolia, afinal o tempo passa tão depressa e ele próprio tem já 61 anos.

Parece mentira como tudo foi rápido e intenso – nesse final de manhã despediu-se de Artur Jorge que o seu pai conhecia muito bem e seguiu para Setúbal, o único lugar em que se sente verdadeiramente em casa.

Está há mais de duas décadas fora do país.

Vários anos em Londres, Milão, Madrid e Roma. Há quem diga que pode ir viver para a Arábia Saudita, Munique, Paris ou regressar a Londres, mas naquele final da manhã pegou no carro e foi para a sua cidade.

2.

Pensou ir para casa.

Pensou até poder ir à missa ou passar pelo cemitério para visitar os seus, pode bem ter recordado os almoços em família, chocos com batatas fritas e futebol à mesa quando o pai estava.

Foi com ele que foi à bola pela primeira vez.

Foi com ele que aprendeu a ser do Vitória de Setúbal.

Foi no Estádio do Bonfim que sofreu ao vê-lo na baliza e depois no banco como treinador.

Foi ali que jogou na equipa de juvenis depois de ter passado pelos iniciados do Comércio e Indústria.

3.

Tinha vindo da despedida do único treinador que, juntamente com ele, ganhara uma Liga dos Campeões pelo FC. Porto.

Pegou no carro e dirigiu-se à sua casa de Setúbal, uma moradia virada para o mar que talvez o obrigue a passar pela Avenida que tem o seu nome.

Quando ali está vem-lhe à cabeça a infância. As correrias com os amigos, os passeios com a mãe pelo Mercado do Livramento, tudo.

Não lhe passaria pela cabeça de criança que um dia conquistaria tudo o que um treinador pode ganhar – ligas dos campeões, campeonatos em vários países, um exército de seguidores que o veneram, um exército de seguidores que o detestam.

Nunca imaginaria que um dia seria milionário.

E um dos portugueses mais conhecidos internacionalmente em toda a nossa história.

4.

José Mourinho não fez nada do que pensara nesse dia nostálgico.

Dirigiu-se por impulso para o Estádio do Bonfim, comprou o seu bilhete e sentou-se como um qualquer para ver o Vitória de Setúbal-Sintrense da 3ª Divisão portuguesa.

Ficou sentado e sozinho durante o jogo.

Foi simpático para quem o abordou e ficou imerso nos seus pensamentos durante 90 minutos – porventura à espera de ver o seu pai no banco ou na expetativa de ter de se levantar à pressa por a sua mãe, Maria Júlia, ter já o almoço à sua espera.

O Setúbal ganhou ao Sintrense e só depois José correu para casa… como se tivesse pressa de chegar à mesa sempre posta.

Texto e programa de Luís Osório


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