Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • RTP Zig Zag
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
RTP Antena 1
  • Programas
  • Podcasts
  • Vídeos
  • Música
    Nacional Internacional Fado Discos RTP Antena 1 Concertos RTP Antena 1
  • Notícias
  • Programação
  • O que já tocou
  • Outros Temas
    Cinema e Séries Cultura Política e Sociedade

NO AR
PROGRAMAÇÃO O QUE JÁ TOCOU
Postal do Dia
Imagem de Não há nada a reparar no passado de Portugal
Imagem de Postal do Dia

Postal do Dia

Luís Osório | 18 jul, 2024, 18:50

Não há nada a reparar no passado de Portugal

Não há semana em que não se discuta sobre reparações histórias e pedidos de desculpa pelos pecados dos nossos antepassados. O "Postal" de hoje assume o que para muitos será uma surpresa.

Imagem de Não há nada a reparar no passado de Portugal
Imagem de Postal do Dia

Postal do Dia

Luís Osório | 18 jul, 2024, 18:50

Não há nada a reparar no passado de Portugal

Não há semana em que não se discuta sobre reparações histórias e pedidos de desculpa pelos pecados dos nossos antepassados. O "Postal" de hoje assume o que para muitos será uma surpresa.

1.

Tenho orgulho na história do meu país.

Não a quero mudar, embelezar, maquilhar, tornar fofinha.

Fomos e somos tudo e o seu contrário.

Enormes e medíocres.

Corajosos e cobardes.

Generosos e egoístas.

Descontraídos e melancólicos.

Temos gente que nos orgulha e nos envergonha.

Gente que nos fez gigantes e gente que nos empobreceu.

2.

Somos os que partiram à conquista do mundo e os que ficaram a dizer mal dos que partiram.

Inventámos mares nunca dantes navegados, mas fomos os últimos a fechar as portas aos escravos.

Somos os que mataram a pena de morte antes de quase todos, mas também os últimos a abrir mão das colónias.

Fizemos uma revolução quase sem mortos, mas dividimos o mundo em dois dispostos a dizimar os pobres diabos que íamos conquistando

Tornámo-nos mestres no jogo duplo, enganámos os castelhanos e mantivemos com engenho a nossa independência, mas somos mestres na arte de nos tratarmos mal uns aos outros.

3.

Somos o país de Cristiano Ronaldo, mas a maioria de nós já só o deseja ver pelas costas.

Tornámos o futebol a única indústria em que ganhamos à maioria dos países poderosos, mas o futebol une-nos na vontade de dizer mal, de criticar, de acharmos que faríamos melhor do que aqueles que lá estão.

Temos dois prémios Nobel, mas a um criticámos pela lobotomia e a outro por não saber pôr vírgulas.

Temos um Salgueiro Maia e um Zeca Afonso, mas morreram os dois na miséria.

Temos um Camões, mas esquecemo-nos que este era o ano 500.

E temos um Pessoa, mas em vida os que foram ao seu funeral deram-se ao trabalho pela caridade de se despedirem de um bêbado adorável.

Fomos o país onde nasceu Aristides Sousa Mendes e Salazar.

Onde D. Afonso Henriques enfrentou a mãe para ganhar a terra. Onde elevámos à santidade um sanguinário como D. Nuno Álvares Pereira e tornámos herói um desequilibrado como D. Pedro e só por causa de Inês.

Somos românticos, pelamo-nos por uma boa história.

Sempre tivemos tendência para o drama, para a choradeira e para os homens baterem nas mulheres.

Orgulhamo-nos de sermos pobrezinhos e honrados. Vivemos com Deus na boca, mas afundados em pecados morais. Adoramos o fado e somos atrevidos, veneramos Fátima e os Pastorinhos, mas nunca deixámos de frequentar a Santa da Ladeira, o Zandinga e as casas de meninas.

4.

Somos o país de Mestre de Avis e do Infante D. Henrique.

Matámos só pelo prazer de matar. Somos racistas dóceis, mas somos racistas.

Roubámos, pilhámos, destruímos, violámos, corrompemos.

Mas também construímos, sonhámos, fizemos bem e imaginámos uma língua só nossa.

Ter orgulho no país é tudo isso.

É ser parte deste circo humano feito de coração e intestinos, de sangue e da putrefação.

Não quero pedir desculpa pelos meus antepassados.

Não quero apagar os “maus”, as iniquidades e o fedor a culpa e a morte.

Sou português por inteiro.

Assumindo o mal que fizemos, tentando estar na barricada justa, combatendo pelo progresso ético e moral, celebrando os que se distinguem, os que nos orgulham, fazendo a minha pequenina parte.

Não há nada a reparar no passado.

Há um presente e um futuro para construir melhor.

Para fazer melhor.

Para ser melhor.

Texto e programa de Luís Osório


Ouça o “Postal do Dia” na Antena 1, de segunda a sexta-feira, pelas 18h50. Disponível posteriormente em Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e RTP Play.
Luís Osório Postal do Dia
Imagem de Postal do Dia
Os gémeos que nasceram na cama do Papa
Na cama dos papas em Castelo Gandolfo, nasceram 50 bebés de mães fugidas ao fascismo. Entre os que viram a luz estavam Eugénio Pio e Pio Eugénio, gémeos que ficaram para a história / 3min
Ouvir Podcast

Pode também gostar

Imagem de O corpo do maior fotógrafo da história rebentou numa mina, mas a máquina nunca lhe saiu das mãos

O corpo do maior fotógrafo da história rebentou numa mina, mas a máquina nunca lhe saiu das mãos

Imagem de O que perdem os que abandonam as mulheres quando estas chegam à menopausa

O que perdem os que abandonam as mulheres quando estas chegam à menopausa

Imagem de Será que poderei ver crescer a minha única filha? Será que a verei entrar na Faculdade?

Será que poderei ver crescer a minha única filha? Será que a verei entrar na Faculdade?

Imagem de Tolentino de Mendonça, o filho de um pescador a quem dois gatos visitaram

Tolentino de Mendonça, o filho de um pescador a quem dois gatos visitaram

Imagem de Um anjo cruzou-se comigo e eu não o soube reconhecer

Um anjo cruzou-se comigo e eu não o soube reconhecer

Imagem de A mãe de Sara Carreira é o símbolo perfeito de todas as mães que esquecemos

A mãe de Sara Carreira é o símbolo perfeito de todas as mães que esquecemos

Imagem de A “Sala de Operações” onde o meu filho seguiu o seu próprio caminho

A “Sala de Operações” onde o meu filho seguiu o seu próprio caminho

Imagem de Os gritos das crianças palestinianas são tão diferentes dos gritos das crianças judias durante o nazismo?

Os gritos das crianças palestinianas são tão diferentes dos gritos das crianças judias durante o nazismo?

Imagem de As mulheres de Pinto da Costa

As mulheres de Pinto da Costa

Imagem de Ricardo Araújo Pereira é a minha besta negra

Ricardo Araújo Pereira é a minha besta negra

PUB

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da RTP Antena 1
  • Aceder ao Instagram da RTP Antena 1
  • Aceder ao YouTube da RTP Antena 1

Instale a aplicação RTP Play

  • Apple Store
  • Google Play
  • Contactos
  • Frequências
  • Programas
  • Podcasts
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026