Esta semana, olhamos para um dos documentos mais marcantes do início do pontificado de Leão XIV: a encíclica Magnifica Humanitas, dedicada aos desafios da Inteligência Artificial.
Ao mesmo tempo, observamos uma tendência que continua a transformar o panorama mediático global: a concentração de poder nos grandes grupos de comunicação, cada vez mais próximos dos centros políticos e económicos.
Magnifica Humanitas, IA Horribilis
A encíclica Magnifica Humanitas, publicada por Leão XIV em maio, constitui o primeiro grande documento programático do seu pontificado.
O texto aborda os desafios colocados pela Inteligência Artificial a partir de uma perspetiva centrada na dignidade humana, no bem comum e na responsabilidade ética. A encíclica reserva também críticas às correntes transumanistas que tendem a reduzir o ser humano a informação processável ou a simples sistemas computacionais.
Não surpreende, por isso, que alguns observadores já tenham brincado com a ideia de que o Papa se aproxima mais de um líder da Jihad Butleriana de Dune do que dos habituais entusiastas da Silicon Valley.
Concentrado de Media
A concentração nos meios de comunicação não é um fenómeno novo.
Há décadas que empresas históricas são absorvidas por grupos maiores, formando conglomerados com presença simultânea na imprensa, televisão, produção audiovisual e plataformas digitais.
Mas, em 2026, quando as fronteiras entre poder político, económico e mediático parecem cada vez mais ténues, esta tendência assume uma relevância acrescida.
O caso francês
Em França, o debate reacendeu-se após centenas de profissionais do cinema denunciarem a influência crescente de Vincent Bolloré e dos seus grupos empresariais sobre o setor audiovisual.
A polémica ganhou ainda mais dimensão quando surgiram acusações de retaliação contra algumas das figuras que subscreveram a petição.
Independentemente das posições assumidas pelas diferentes partes, o episódio serviu para recordar como a concentração de propriedade pode transformar disputas empresariais em batalhas culturais e políticas.
🔗 600 profissionais do cinema denunciam domínio de Bolloré sobre a 7.ª Arte | Libération | 17 de maio
O caso alemão
A Axel Springer tem crescido em todo o mundo, com aquisições do Politico e do Telegraph. Mathias Döpfn está muito envolvido na política e, em várias ocasiões, os jornais do grupo têm servido para defender as suas posições.
Os iliberais
Em vários países, governos e movimentos políticos têm procurado aumentar a sua influência sobre os meios de comunicação. Inspirados por modelos já testados noutras geografias, multiplicam-se as tentativas de domesticar ou pressionar órgãos de informação considerados hostis. Israel surge frequentemente como um dos exemplos mais recentes deste fenómeno, mas não é caso único.
O laboratório americano
Nos Estados Unidos, a pressão sobre os grandes grupos de comunicação continua a intensificar-se.
Processos de fusão e aquisição prometem redesenhar o setor, ao mesmo tempo que crescem os confrontos entre reguladores, governos e empresas mediáticas.
Nem gigantes como a Disney parecem imunes a este ambiente de tensão.
Casos recentes envolvendo programas televisivos, investigações regulatórias e acusações de censura demonstram como o debate sobre liberdade de expressão e controlo dos media entrou definitivamente no centro da arena política americana.
🔗 Trump quer implementar campanha de censura contra Disney (comissário da FCC) | Reuters | 11 de maio
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