O fim dos (velhos) influencers?
Há uma teoria que tem alguns meses e que regressou em força no final deste Verão: os influencers estão a transformar-se noutra coisa.
As razões para esta crise:
- Visionamento como medida da relevância (Algoritmo vs. Criadores)
- Esgotamento das verbas de publicidade
- Avalanche de micro-conteúdos (erosão da ideia de marca)
- Custos da exposição (cancelamentos e responsabilização)
- Necessidade de saltar a barreira da plataforma (expansão da marca)
Setembro foi exemplar, no grande tubo de ensaio da economia do visionamento: YouTube. PewdiePie, o famoso e infame Felix Kjellberg, foi durante anos o principal YouTuber. Apresentou neste mês aquele que, alegadamente, será o seu último vídeo. Junta-se à grande maioria dos super YouTubers da década de 2010, que parece ter-se eclipsado. Os que sobreviveram já não dependem só da plataforma e investiram na diversificação.
Mr. Beast substituiu PewdiePie e é hoje uma mega celebridade e um investidor em múltiplos setores. Lançou em setembro um livro com James Patterson, em que promete um milhão de dólares a um dos leitores.
Jake e Logan Paul representam provavelmente o pior que o Youtube consegue gerar: capitalizar escândalos, incendiar polémicas e promover golpes publicitários. Migram para toda e qualquer plataforma que os queira acolher. Em setembro foi o Pentágono!
Há vários YouTubers que passaram com sucesso para outras plataformas e negócios, como Michelle Phan, Philip Defranco, Markiplier ou Linday Ellis, entre outros. Mas a grande maioria desapareceu por completo…
A tendência passa agora pela diversificação. O online é porta de entrada para uma panóplia de negócios. E assim que o pavio nas redes se esgota, o influencer mantém-se relevante. As antigas estratégias estão a ser afrontadas pelos criadores de micro conteúdos e pelas próprias marcas
Brasil Viral
A 21 setembro, um episódio do “Revelando” (série de reportagens lançada pelo podcast brasileiro Calma Urgente) apresentado por Fábio Porchat, foi publicado no YouTube e posteriormente distribuído no Instagram. Em 24h, chega ao 1.º lugar do ranking Hype do YouTube.
O vídeo “Grandes Igrejas, Master Negócios” destapa um véu de relações corruptas entre Daniel Vorcaro (Banco Master) + Igreja Evangélica + Flávio Bolsonaro. O conluio entre o poder económico, religioso e político no Brasil, em plenas presidenciais.
De início, alegaram que o conteúdo não cumpria os seus padrões, mas sem especificarem. Horas depois, restaurou a conta, alegando “revisão interna”. Fábio Porchat classificou de tentativa de censura.
🔗 “Instagram suspende série de Fábio Porchat após episódio que liga igreja evangélica, Banco Master e Flávio Bolsonaro”, CNN Portugal
Mais do que o tema em si, o caso que levanta várias questões na esfera mediática:
- Numa internet dominada por privados, quem decide o que pode circular?
- Plataformização da esfera pública: os GRANDES são expostos nas redes, que servem de alavanca para um público extenso (IMAGEM UBER)
- A Jon Stewartização de Fábio Porchat: humorista dá a cara e ajuda a construir a narrativa
- A gramática do vídeo: cruzamento entre humor e investigação
Futebolista brasileiro impulsiona vendas de livro de Tolstoi
Gustavo Scarpa, jogador do Atlético Mineiro, tornou-se um fenómeno literário depois de recomendar nas suas redes a “A Morte de Ivan Ilitch” de Tolstói, que chega ao top da Amazon no Brasil. Adeptos criam clube de leitura inspirado nas suas escolhas.
🔗 “O jogador brasileiro que virou destaque internacional por impulsionar venda de livro”, Veja
Recomendações
🔗 “Tianxia: o Conceito chinês para a Ordem Internacional”, Global Asia
🔗 “Mercedes-Benz e Wayvo: Acordo de Produção de Condutor IA em 2 anos”, Motor1
📹 Canal de YouTube “Revelando”
🎧 Podcast “Calma Urgente”
🔗 Odd News, UPI.com