Há um emaranhado de nós sem pontas quando falamos de energia, de tecnologia e do papel das instituições, diz Hugo Martins de Carvalho.
O engenheiro, especialista em transição energética e Inteligência Artificial, identifica vários trilemas em que somos chamados a posicionarmos e a fazer escolhas. Há riscos e custos numa sociedade que quer energia limpa, «mas não quer parques solares no seu quintal», quer energia barata e não abdica de andar de carro. Tudo isto num enquadramento político sem fronteiras e com grandes dificuldades de regulação.
Hugo Carvalho acredita na sustentabilidade das energias renováveis em Portugal: «Nós temos sol, água e vento e o facto de serem renováveis é igual ao facto de serem soberanas e ao facto de serem baratas. É tudo aqui.» Critica a administração pública portuguesa pelos «obstáculos que tem colocado à expansão das renováveis» e, quando se fala dos riscos da Inteligência Artificial, defende mecanismos de regulação e de cooperação internacionais.
Otimista, interroga-se e responde: «Se tudo correr mal onde vamos parar? Vamos parar onde confiamos. Podemos delegar o nosso trabalho à IA, mas ninguém delega a sua reputação…»