“Acho absolutamente… quase que doentia e abusiva o tipo de relação em que Luís Montenegro quer meter a política nacional”, afirma Rui Tavares.
Em entrevista ao podcast “Política com Assinatura”, o ainda porta-voz do Livre, acusa o primeiro-ministro de “negociar as coisas com o Chega e dá-se ao luxo de entrar nesta espécie de ritual de caricaturização e de humilhação da esquerda, e nomeadamente do PS, e, depois, no fim do ano, apresenta a fatura: ‘venham cá aprovar o Orçamento do Estado para governarmos mais um ano'”.
Rui Tavares refere-se à viabilização do Orçamento do Estado para 2027 (OE27), sobre a qual propõe ao PS que não passe um cheque em branco ao Governo e recomenda a Montenegro que negoceie com todos os partidos com assento parlamentar se quiser ter orçamento para o próximo ano.
Ainda assim sugere que tem dúvidas se será do interesse do primeiro-ministro e do líder do grupo parlamentar do PSD terem o OE27 aprovado.
“Pergunto-me muitas vezes se o tipo de tática que Luís Montenegro e Hugo Soares têm seguido não é um tipo de tática cujo objetivo final seria, um dia, atirar a toalha ao chão e dizer «a culpa é dos outros, vamos para eleições e deem-nos uma maioria absoluta”, afirma.
E envia um recado ao chefe do Governo: “desde o pacote laboral para a frente, já devia ter aprendido e devia ter tido a humildade de chegar ao Parlamento e dizer: “isto não funcionou”.