Patrícia Portela é uma artista convicta e preocupada: «Morro de medo de perder a vontade e a convicção». Aflige-a perceber que o ser humano, «quanto mais condições tem, não fica mais empático, mais solidário, melhor pessoa».
A escritora e performer diz que há pouca coisa que nos choque e o que é mais chocante surge-nos «lavado» para «continuarmos a jantar e não nos incomodarmos». Lembra que nunca foi possível denunciar tantas situações, ter tanta opinião e que nem por isso se atua.
Patrícia Portela vê o mundo através da arte. Partindo de Oscar Wilde, afirma que «a vida tem pouca arte para imitar» e que «estamos a imitar uma cópia má de nós próprios». Recém vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, estudou Filosofia, cinema, cenografia e dança. Dirigiu o Teatro Viriato e a Rua das Gaivotas 6.
O seu mais recente livro chama-se «Hoje, 3 de Maio» e parte do quadro de Goya «Fuzilamentos de 3 Maio de 1808». No Ponto de Interrogação, da RTP Antena1, Patrícia Portela alerta para a necessidade de pararmos para pensar: «Somos capazes de fazer o mesmo caminho todos os dias e nunca ter visto nada do que se passa. Somos táxis de nós próprios sem termos tempo para nos perdermos».
Conversa com António José Teixeira e David Azevedo Lopes, no podcast da RTP Antena 1 “Ponto de Interrogação”.