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Postal do Dia

Luís Osório | 2 out, 2025, 18:50

A história de um inocente que esperou 46 anos no corredor da morte

A história do condenado que mais anos agonizou num corredor da morte. Esteve 46 anos à espera de ser enforcado. E estava inocente. Foi libertado, indemnizado, mas está louco.

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Postal do Dia

Luís Osório | 2 out, 2025, 18:50

A história de um inocente que esperou 46 anos no corredor da morte

A história do condenado que mais anos agonizou num corredor da morte. Esteve 46 anos à espera de ser enforcado. E estava inocente. Foi libertado, indemnizado, mas está louco.

1.

Gostava de te contar da vida do Senhor Hakamada.

Tem hoje 88 anos, adotou dois gatos a quem trata como filhos e, algumas vezes por semana, um grupo de gente vai buscá-lo à instituição onde descansa e leva-o a lanchar.

O Senhor Hakamada não conhece as pessoas que o tratam bem, mas sorri e vai.

Adora comer bolos, uns atrás dos outros – das primeiras vezes, sofregamente, agora de outra maneira, mais tranquila.

No lar, os funcionários têm ordens para lhe trazer comidinhas especiais, amaciam-no com rebentinhos de tofu, ramen que os enfermeiros mais novos o convencem ser massinha do paraíso e temakis de atum bem melhores do que gelados de chá verde.

2.

O Senhor Hakamada tem 88 anos e esteve no corredor da morte de Shizuoka durante 46.

O velho japonês estava inocente.

Aguardou quase meio século pelo dia em que os guardam lhe abririam a porta para ser enforcado – no Japão é assim, a pior provação é que nunca se sabe o dia em que os pés são algemados e os penitentes percorrem o caminho até à corda.

3.

Trabalhava numa fábrica de soja. Fora fraco pugilista e desistira do boxe porque eram mais as vezes que ia ao tapete do que as que levava massas para casa.

O senhor Hakamada foi acusado de ter assassinado quatro pessoas, o dono da fábrica onde trabalhava, a sua mulher e dois filhos.

Esfaqueara-os na sua própria casa.

A polícia, apesar de não ter provas, suspeitou do ex-pugilista que para fazer mais uns trocos trabalhava à noite num bar.

Levaram-no para uma sala de torturas e sacaram-lhe a confissão após 23 dias de espancamentos num interrogatório que o debilitaria para sempre.

4.

O Senhor Hakamada suplicou pela sua inocência.

Que as calças manchadas de sangue encontradas num barril de miso não eram suas – já depois da condenação, e após alguma polémica e muitas dúvidas, a polícia encontrara a prova que faltava, o assunto tinha de terminar por ali.

Anos e anos e anos nisto.

Quarenta e seis para que o processo se reabrisse e a prova incontestável tivesse então surgido.

As calças não eram suas.

O DNA não era o seu, o Senhor Hakamada estava inocente.

Libertaram-no em 2014, mas só agora, há umas largas semanas, o Estado japonês decidiu transferir 1,3 milhões de dólares para a conta do velho desgraçado, pouco mais de 80 dólares por cada dia que esteve preso.

5.

Só que, infelizmente, o Senhor Hakamada vive num mundo de sonhos e de infância.

Brinca com legos e prepara as trouxinhas todas as manhãs para ir à escola primária.

Tem os seus dois gatos a quem alimenta de patés bons e a quem mima como nunca foi mimado.

E em muitas tardes empanturra-se de bolos como se não houvesse amanhã.

O Senhor Hakamada enlouqueceu do tanto que esperou que a porta se abrisse e lhe acorrentassem as pernas para se fazer ao caminho.

Talvez nunca tenha estado tão próximo de uma ideia de felicidade.

Ouça o “Postal do Dia” em Apple Podcasts, Spotify e RTP Play.

Luís Osório Postal do Dia
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Prefiro morrer a ficar vivo para sempre
Quero fazer-te uma pergunta: se pudesses viver para sempre, viverias? Assinavas um contrato para seres imortal? Uma pergunta inquietante. A minha resposta talvez te surpreenda. / 3min
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