Imagem de Alguém diga a Joaquim de Almeida que não é Al Pacino

Alguém diga a Joaquim de Almeida que não é Al Pacino

Na última semana antes do 25 de Abril, a história de uma amor improvável entre o génio Carlos Paredes e a jovem guitarrista por quem se apaixonou.

Imagem de Alguém diga a Joaquim de Almeida que não é Al Pacino

Alguém diga a Joaquim de Almeida que não é Al Pacino

Na última semana antes do 25 de Abril, a história de uma amor improvável entre o génio Carlos Paredes e a jovem guitarrista por quem se apaixonou.

1.

Joaquim de Almeida não é um grande ator, mas é uma grande personagem e soube ocupar eficazmente um lugar em Hollywood.

Talvez não haja nenhum ator português com tantos papéis internacionais e é impossível retirar-lhe mérito.

Na maioria desses papéis foi vilão. Corporizou personagens da América Latina, gangsters, traficantes de droga, polícias e sedutores com pronúncia de gato das botas.

Adorei vê-lo numa das temporadas da celebrada série 24, protagonizada por Kiefer Sutherland.

2.

Muita gente o trata carinhosamente por “Quim de Hollywood”. E nos últimos dias voltou a ser falado pela participação no último filme de Roman Polanski, “O Hotel Palace”.

Faz o papel de um cirurgião plástico, o Dr. Lima. E naquele estranho hotel, ocupado por milionários na passagem do milénio, Joaquim contracena com Mickey Rourke, Fanny Ardant e John Cleese.

Nas várias entrevistas em que promoveu a estreia de “O Hotel Palace”, o ator português elogiou Polanski, o polémico, mas extraordinário realizador de “Rosemary’s Baby”, “Chinatown” ou “O Pianista”.

3.

Contou também que o convite partira diretamente do realizador – imaginei-o logo a encontrar-se com o homem num café em Paris para trocar impressões sobre o guião que lhe fora enviado por e-mail.

Não sei se foi assim, só posso saber o que Joaquim de Almeida amavelmente nos contou.

Em primeiro lugar que hesitara na resposta. Apesar da consideração do convite ter sido pessoal, não lhe foi claro que iria aceitar.

É que o guião era confuso.

Tão confuso que “Quim de Hollywood” desabafou com os jornalistas portugueses: “Só fiz este filme por ser do Polanski”.

4.

Gosto de pessoas afirmativas.

Que não se acanham e que não têm vergonha de se colocar ao nível dos grandes, dos maiores.

E que até são generosos.

O Joaquim de Almeida teve a enorme generosidade de entrar no filme do Polanski, fez-lhe um favor em nome do respeito pela carreira do velhote.

Até me deu a ideia de que faria o mesmo pelo Spielberg, pelo Scorsese ou pelo Coppolla.

É preciso ter lata.

Olhando para os filmes em que entrou na sua vida, vendo os argumentos e observando o nome de dezenas de realizadores com quem trabalhou, é preciso ter muita lata.

Hesitou quando Polanski o convidou?

Uau!

Há malta que se leva mesmo a sério.

Texto e programa de Luís Osório


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