A história trágica que uniu para sempre Cristina e Frederico

Passaram mais de trinta anos por uma tragédia que parou o país. Duas crianças de nove anos foram engolidas numa piscina de um parque aquático. Chamavam-se Cristina e Frederico e teriam hoje 40 anos.

A história trágica que uniu para sempre Cristina e Frederico

Passaram mais de trinta anos por uma tragédia que parou o país. Duas crianças de nove anos foram engolidas numa piscina de um parque aquático. Chamavam-se Cristina e Frederico e teriam hoje 40 anos.

 1.

No final de julho de 1993, duas crianças morreram num parque aquático em Lisboa.

Cristina e Frederico tinham nove anos e nunca se conheceram, mas os seus nomes ficaram para sempre ligados.

Gostava de os recordar, de te recordar esta história.

2.

No dia 27 de julho, uma terça-feira, os pais de Cristina não a precisaram de acordar. A sua menina estava entusiasmada para ir ao Aquaparque, no Restelo, o lugar das piscinas com escorregas, as suas amigas juraram-lhe que não existia sítio mais divertido do que aquele.

A meio do dia a menina desapareceu.

As piscinas foram corridas a pente fino e, no final da tarde, a tese abriu telejornais: uma menina fora raptada mesmo à frente dos olhos dos pais.

Distribuíram-se fotografias de Cristina, somaram-se apelos e a polícia fechou as fronteiras… nada de nada.

3.

Dois dias depois, numa quinta-feira muito quente, o parque aquático do Restelo estava cheio e o pequeno Frederico Mendonça corria animado e feliz.

Os pais estavam a vê-lo e deixaram de o ver.

Fecharam-se as portas, chamou-se a polícia, o raptor não podia estar longe.

Várias horas depois a polícia admitiu a hipótese de afogamento e esvaziou uma das piscinas.

Na madrugada de sexta-feira os corpos de Cristina e Frederico foram encontrados. As crianças tinham sido sugadas pela força hidráulica e ficado tragicamente presas nas tubagens.

4.

Passaram 24 anos e meio.

Cristina e Frederico não chegaram a conhecer-se, mas o seu destino tornou-se um. Quando um nome se recorda, recorda-se o outro, verdadeiros irmãos do destino.

Se tudo tivesse corrido bem, se naquela terça e quinta-feira tivessem regressado a casa felizes e cansados, se tivessem tomado um banhinho quente, comido qualquer coisa e dormido na companhia dos seus bonecos, se tudo tivesse corrido naturalmente teriam hoje 40 anos.

Não aconteceu.

Mas os seus pais, os pais de Cristina e Frederico, nunca mais abandonaram por completo o dia em que chegaram a casa sem os filhos.

Meninos bonitos com tanto para dar, meninos que contavam os dias para regressar à escola onde já não eram nenhuns bebés, onde já eram finalistas na Primária, onde já eram grandes.

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