Termina de amanhã a um mês o prazo para a Liga Portugal entregar na Autoridade da Concorrência a chave de distribuição dos valores referentes à venda centralizada dos direitos audiovisuais do futebol profissional.
Com os prazos a acabarem, o processo vai agora acelerar, até porque os clubes vão ter de aprovar os documentos que faltam em Assembleia Geral que deve ser marcada para meados do próximo mês.
Todas as decisões que forem agora tomadas dificilmente serão revistas nos próximos anos, pelo que as sociedades desportivas estão agora a jogar tudo o que conseguem para garantir mais dinheiro, mesmo que ninguém saiba muito bem quanto é que o mercado vai conseguir pagar, em Portugal, pelo futebol e ao futebol.
Já se percebeu que há um conjunto de SAD’s, lideradas pelo Nacional e pelo Marítimo que discordam do modelo apresentado pela Liga Portugal e que pretendem, num outro modelo, um aumento dos valores que serão distribuídos de forma igual para todos.
A proposta da Liga fala em 15%, os emblemas insulares querem que passe para 36% do bolo total, seguido as regras dos grandes campeonatos europeus.
Diz Rui Alves, o presidente dos nacionalistas, que é esse o espírito da lei que pretende atenuar as enormes diferenças existentes atualmente entre os grandes e os outros.
Também nesta proposta, os clubes da Liga 2 passariam a ter muito mais dinheiro disponível e sabe-se como as receitas são tão escassas nesta competição.
Não me admiro muito que esta proposta até possa ter bastantes adeptos, atendendo à forma como as decisões são tomadas em assembleia geral, com os clubes da Liga Portugal a disporem de dois votos e os da Liga 2 de, apenas, um voto.
Isto em tese até faz sentido, mas quando se olha para a realidade portuguesa batemos de frente com o mercado que é dominado a 80% pelos chamados 3 grandes clubes – FC Porto, Sporting e Benfica – para utilizarmos a classificação final do último campeonato.
Podemos dar as voltas que quisermos que não conseguimos sair daqui, porque esta é a nossa realidade que não tem paralelo em nenhum outro país da Europa, uma realidade que, como é evidente, tem de ser espelhada na chave de distribuição.
Não espanta, por isso, a reação de André Vilas Boas que disse ontem que se o modelo proposto pelo Nacional for aprovado vai recorrer aos tribunais para o parar.
O presidente do FC Porto, tal como os líderes dos outros grandes clubes, sabem muito bem que vão perder algum dinheiro com a centralização.
A coisa é de tal forma que o Benfica já há muito tempo que se colocou fora do processo, numa atitude de orgulhosamente sós que não é bom para ninguém, enquanto pressiona o poder político para adiar tudo.
Com o comboio em velocidade cruzeiro e com muito do trabalho já feito, parece-me que adiar tudo isto se torna praticamente impossível, mas veremos o que vai acontecer.
Parece-me evidente que os clubes, a liga e os operadores sabem que aquilo que o mercado pagou pelo futebol, em 2015, não se vai repetir e que os valores vão ser mais baixos, diria mesmo substancialmente mais baixos.
Depois há os exemplos de França, Bélgica e Itália que não antecipam nada de bom.
Todos deviam pensar onde querem estar em 2038, dez anos depois da centralização arrancar, mas convenhamos que olhar a essa distância não é para nós, tão pouco habituados a pensar a longo-prazo.
Por falar no curto-prazo, estão definidos os 18 clubes que vão jogar a Liga Portugal da próxima temporada.
Marítimo e Académico de Viseu regressam.
O Casa Pia antevê-se.
Em termos geográficos tudo vai ficar na mesma.
O interior é representado pelos viseenses.
A Madeira volta a ter duas equipas.
Lisboa continua a ter seis clubes e o Minho cinco.
Quem dá o que tem a mais não é obrigado!