1.
Nos últimos anos troquei várias mensagens com Maria Helena, mãe de Ana e Nuno Markl.
Combinámos almoçar, sem nunca o concretizar.
Culpa minha, certamente.
Sou um tipo difícil de compreender, eu próprio não me entendo na maior parte dos dias.
A Maria Helena é irresistível.
Os filhos teriam de sair a alguém.
Adiante.
2.
Não quero falar-te da Maria Helena ou do Nuno, mas da Ana.
Curiosamente, pareciam-me gémeos ou quase.
Nunca me passou pela cabeça que tivessem uma diferença de idades tão substancial…
…a Ana tem menos oito anos do que o Nuno.
Não o diria tendo em conta a proximidade no seu modo de olhar, no que veem, no que ouvem, no que procuram, no que defendem.
Como o irmão, a Ana é uma miúda.
Mantêm o espanto da vida, alimentam a curiosidade, estão despertos.
3.
Há uns tempos, a Ana Markl celebrou a chegada da Menopausa.
O namorado comprou-lhe um bolo e convidaram-se amigos para a festa.
Gostei de o saber. Adoro ser surpreendido pelos que transformam estigmas em recomeços.
Pelos que substituem os medos por oportunidades para beber de todos os cálices que a vida proporciona.
A Menopausa é um tema tabu.
Como o é a Andropausa.
4.
Ou tudo o resto que vemos como um problema.
A começar pela morte.
Porque não começamos a celebrar a vida quando nos despedimos de quem amámos?
Porque não dançamos?
Porque não declamamos palavras que façam sorrir a morte?
Que a afugentem.
Que a tornem vida.
5.
O bolo de Ana Markl não é apenas um bolo.
É um manifesto de combate contra as ideias feitas.
Contra o fatalismo.
Contra as prisões a que nos condenamos.
E a favor da alegria.
E da liberdade de ser o que quisermos em todos os momentos da nossa vida.
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