Ao pé de Tó Madeira, Cristiano Ronaldo era um menino

Na passagem do século XX para XXI, um português era mais conhecido do que todos os outros. Chamava-se Tó Madeira e o seu nome ainda é uma lenda nos cinco continentes.

Ao pé de Tó Madeira, Cristiano Ronaldo era um menino

Na passagem do século XX para XXI, um português era mais conhecido do que todos os outros. Chamava-se Tó Madeira e o seu nome ainda é uma lenda nos cinco continentes.

1.

Fui um fanático do Championship Manager.

Eu e muitos milhões, o CM chegou a ser o jogo de estratégia mais popular do mundo.

Na minha melhor época de sempre, no Real Madrid, ganhei a Liga dos Campeões com uma equipa de sonho.

Ficava toda a noite acordado e a dependência não fez nada bem ao meu primeiro casamento – quando a mãe dos meus mais velhos me viu a pôr uma gravata por causa da final europeia, percebeu que eu enlouquecera.

Curei-me.

Ou então substitui a maluqueira por outras mais invisíveis.

Devo ter uma pancada forte e felizmente escrevo postais para aplacar os meus mundos alternativos.

2.

Preciso de te contar uma história fabulosa.

A história de Tó Madeira, o mais notável jogador que nunca existiu.

Era o meu número 9 quando ganhei tudo a treinar o Real.

Comprei-o por uma pechincha para jogar no Benfica. E levei-o depois para Madrid onde bateu todos os recordes.

3.

Tó Madeira, naquele ano de 2000, foi o português mais popular do mundo, o mais conhecido nos cinco continentes, o nome que mais vezes foi escrito no Japão, na África do Sul, em Inglaterra, na Índia, na Rússia, na Suécia, na Coreia do Sul, em França…

…bem, já percebeste a ideia.

Tornou-se um ídolo na época 2000/2001 no CM.

4.

O que não sabíamos era que o Tó existia.

Português, de Gouveia.

Estudante de Engenharia Civil, em Coimbra.

Louco pelo CM e escolhido pela administração do jogo para ajudar na listagem das equipas secundárias portuguesas do centro do país.

Fez as listas e incluiu o seu nome colocando valores máximos no remate, na técnica, na velocidade e na energia.

5.

Naquele tempo, não existia o grau de sofisticação e profissionalismo dos anos a seguir.

A internet era frágil e os mentores do negócio recebiam a informação dos colaboradores e introduziam-na sem uma verificação cuidada.

Foi o que sucedeu.

Tó enviou os dados que passaram diretamente para a versão final do jogo, sem verificação.

Ao fim de um mês a falha tornava-se evidente, mas era demasiadamente tarde para a alterar.

6.

Tó Madeira era a alcunha de infância de António Lopes – o homem que se tornou uma lenda.

O avançado perfeito.

O gajo que me fez pôr uma gravata e que quase desfez um casamento com a força dos seus remates.

Um tipo que hoje é um discreto engenheiro, mas aposto que um ídolo entre amigos e milhares de “nerds” presos ao seu passado glorioso passado.

O Cristiano ao pé dele era um menino.

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