1.
Amanhã é o último dia de campanha, mas o meu apelo ao voto é hoje.
Como o fazer sem repetir argumentos, os meus próprios argumentos?
Tenho 54 anos, quatro filhos e uma enorme esperança que em mim é superior ao medo que nos contamina por estes dias.
2.
Falhei bastantes vezes.
Como profissional, como pai, como filho, como crente numa ideia de transcendência, como amigo, até como cidadão.
Muitas vezes fiz o que era mais fácil, não o que devia ter feito.
Mas como me disse uma vez Jorge Sampaio, numa conversa para mim inesquecível, o importante é sempre o balanço.
Entre o que somos e o que fizemos.
Entre o que falhámos e o que acertámos.
Entre a quantidade das nossas hesitações e a qualidade das nossas decisões.
E o que somos, claro.
Falo do que somos dentro de qualquer visão, dentro de qualquer aparência.
Se queremos caminhar num mundo em que o medo não é dominante, em que pensamos realmente nos outros e em que abraçamos, em que acreditamos no bem, nas boas pessoas, na empatia…
3.
De vez em quando insulto pessoas que me irritam profundamente.
Digo asneiras.
Detesto pavões sem currículo.
E pavões com currículo também.
Não me importo de os insultar, sobretudo quando acham que têm algum poder e acreditam ser superiores mesmo não valendo a realíssima ponta de um corno.
Mas olha…
Acredito numa ideia de bem.
Sou otimista.
Detesto a violência, as ameaças, a maldade, os maus pensamentos.
4.
Não parece, mas é o meu apelo ao voto.
No domingo não será um combate entre a direita e a esquerda.
É um combate entre os que tentam salvaguardar a capacidade de sermos gente, de estarmos juntos, de procurarmos soluções, de afastarmos as pessoas que se babam de raiva e nos agridem todos os dias com o seu ressentimento.
É o mundo de Jesus Cristo e de toda as palavras que lhe reconhecemos.
Do Papa Francisco, de Tolentino.
Dos que sacrificam a sua vida pelos outros, gente de direita e de esquerda.
Que dão a sopa a quem precisa de uma sopa, que acreditam que ninguém fica para trás.
É o mundo de todos os que verdadeiramente admirámos ou admiramos: de Sá Carneiro a Eanes, de Freitas do Amaral a Lucas Pires, de Pintassilgo a Mário Soares, de Guterres a Marcelo, de Balsemão a Cavaco Silva, de Jorge Sampaio a Adelino Amaro da Costa, de Salgueiro Maia a Miguel Portas.
Mas também dos que arriscaram a vida por uma ideia de liberdade. Dos que pensam e escrevem coisas diferentes das que eu penso e escrevo: a Clara Ferreira Alves, o Sérgio Sousa Pinto, o Henrique Raposo, o João Miguel Tavares.
Estamos juntos por tudo nos desunir menos uma única coisa: a decência.
Ainda assim, a decência.
Vota no domingo com um sorriso.
O mesmo que te pedi na primeira volta.
Vota com o teu melhor sorriso.
Se o fizeres votarás no mesmo que eu.
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