A idade não é um posto, e agora, pelo que me dizem, nem na tropa.
Quem tem qualidade só tem é de ser posto a mostrar todos os seus predicados, seja em que atividade for e, como é fácil de perceber, o futebol não é nenhuma exceção, bem pelo contrário.
Vamos aos factos!
O FC Porto, o atual líder do campeonato, tem utilizado com regularidade e enorme sucesso uma série de jogadores sub 21.
Aliás, aquele que tem mais jogos realizados, nesta temporada, com a camisola azul e branca é o dinamarquês Victor Froholdt que com vinte anos de idade, feitos a 25 de fevereiro, já fez 41 jogos pelos dragões, tendo marcado seis golos.
Se a isto lhe juntarmos os desafios feitos pela seleção vai a caminho dos 50 jogos, com mais de três mil e seiscentos minutos de utilização. Uma brutalidade!
Nos dragões esta lista não se fica por aqui: Rodrigo Mora, 18 anos, participou em 36 jogos e marcou 5 golos. Wiliam Gomes, 20 anos, fez 38 jogos e marcou 12 golos. Há ainda Martim Fernandes, 20 anos que apesar das lesões, já leva 29 jogos e um golo marcado e também o recém-chegado Pietuszewski, de apenas 17 anos, chega à maioridade a 20 de maio e que já fez 10 jogos e marcou 3 golos. Isto sem esquecer o espanhol Samu, de 21 anos de idade e que está lesionado, sendo ainda o melhor marcador da equipa com 20 golos.
Parece-me que no FC Porto há uma aposta consistente na juventude, seja ela originária, ou não, das camadas jovens.
No Sporting, a formação é a sua marca de água. Os jogadores sub 21 continuam a dar certo. Geovany Quenda, 18 anos de idade, já contratado pelo Chelsea, mas ainda em Alvalade por empréstimo, é, talvez, o rosto principal desta política. Apesar da lesão que o afastou dos relvados desde 5 de dezembro, tem 22 jogos realizados e 5 golos marcados. O espanhol Fresneda, 21 anos, é um dos mais utilizados da temporada, já fez 37 jogos e marcou 1 golo. Há também Luís Guilherme, 20 anos, contratado no mercado de janeiro e que tem 12 jogos e um golo marcado. Por fim temos João Simões, 19 anos e que já leva 29 jogos realizados e um golo marcado.
Também os leões têm uma aposta mais ou menos coerente na juventude, sendo que há um conjunto de jogadores muito maduros, entre os 25 e os 30 anos de idade que não têm dado hipóteses à concorrência mais jovem.
A aposta nos miúdos também passa por outras equipas, como o Sporting de Braga, com Diego Rodrigues à cabeça. Ou o Famalicão onde jogam Gustavo Sá e Mathias de Amorim, parte do meio-campo da seleção nacional de sub 21.
Mais atrasada parece estar a aposta do Benfica na juventude. E não é por falta de qualidade. É certo que o clube da Luz está a segurar os campeões do mundo de sub 17.
Anísio Cabral, 18 anos de idade, já renovou contrato até 2031, mas só tem cinco jogos feitos pela equipa principal e dois golos marcados. O lateral Banjaqui fez ontem 18 anos e deve prolongar a ligação aos encarnados nos próximos dias. Ficará a faltar o esquerdino José Neto que só chega à maioridade no mês que vêm. Também vai prolongar o contrato.
Apenas o argentino Prestiani, 20 anos, tem sido uma aposta segura e apenas e só nos últimos meses. O vice-campeão do mundo de sub 20 fez até agora 34 jogos e marcou 3 golos.
Não sou apologista de criar situações artificiais. Nada disso. Mas, se os jogadores têm qualidade e se o clube precisa deles, não percebo porque não são utilizados mais vezes. A aposta na formação é uma das grandes armas do futebol português. É uma das suas principais mais-valias. Os clubes só têm é de a utilizar. E quem a está a usar parece-me que não se está a sair nada mal.