Maria, a ginasta que um dia voltará a voar

Maria era uma das grandes esperanças da ginástica portuguesa. Tinha 13 anos, mas já fora a um Europeu e a um Mundial. Uma semana antes do Natal, uma queda condenou-lhe o futuro.

Maria, a ginasta que um dia voltará a voar

Maria era uma das grandes esperanças da ginástica portuguesa. Tinha 13 anos, mas já fora a um Europeu e a um Mundial. Uma semana antes do Natal, uma queda condenou-lhe o futuro.

1.

Maria era uma atleta promissora.

Na ginástica acrobática já representara a seleção portuguesa num Europeu e num Mundial.

Tinha acabado de fazer 13 anos e o Natal estava à porta – na sua casa perto de Loures, a mãe Catarina montara a Árvore e havia presentes à espera de ser abertos.

2.

Faltava uma semana para 25 de dezembro, mas os treinos não pararam, Maria corria atrás do seu sonho e não facilitava.

Num exercício de rotina, um salto igual a mil que dera antes, caiu mal.

Um grito antecipou o silêncio.

O treinador telefonou à mãe para que ela fosse ao clube – era provável que a menina tivesse que ir ao hospital.

3.

Assim que a mãe chegou, Maria disse-lhe duas palavras: “Estou paralítica”.

Ninguém lhe deu crédito.

Bombeiros levaram-na para o Santa Maria, exames foram-lhe feitos, uma operação de urgência e um diagnóstico cruel:

A Maria estava tetraplégica.

4.

O que se diz?

O que se faz?

Como nos podemos colocar no lugar daquela família?

No lugar de Maria Mendes.

No lugar da mãe Catarina.

Do pai e dos irmãos.

Poderiam ter desistido, caído numa depressão impossível de resolver, mas não foi o que aconteceu.

Foi o contrário.

Maria quis tentar tudo.

E tem tentado tudo.

Esteve vários meses internada no Centro de Medicina do Alcoitão onde começou a recuperar e a movimentar os braços.

5.

Dois anos passados está em casa, voltou à escola com excelentes resultados e a sua rotina é a de uma atleta de alta competição – faz fisioterapia intensiva, natação, exercícios antes de dormir, depois de dormir…

…a pequena Maria, ginasta que competiu num Europeu e num Mundial, tinha a ambição de ser Olímpica, de conquistar uma medalha, de ser o orgulho do país.

Hoje com 15 anos, é o orgulho de um país.

O seu esforço é exemplar, o sacrifício, a resistência à dor, a vontade de continuar a evoluir, de andar, de comer com faca e garfo, de perseguir novos sonhos.

É tão bonita a Maria.

Tão forte e tão frágil.

E tão agradecida aos tantos portugueses que a têm apoiado – a mãe Catarina nunca desiste, mobiliza vontades, recolhe tampinhas, entrega garrafas de plástico para juntar dinheiro para que a sua princesa possa voar outra vez.

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