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1.
O Padre Dário é polaco, tem pouco mais de cinquenta anos e veio para Portugal para ajudar no que fosse preciso.
Viajou do Norte da Polónia, talvez de Torun ou de Pelplin, e não passava de um miúdo quando um homem tentou matar João Paulo II, em Fátima.
Uma imagem que lhe influenciou as escolhas e o destino.
E é bem capaz de nisso ter pensado quando as peças se encaixaram e viajou com uma única mala para o sul do nosso país, lugar onde havia falta de padres e paróquias quase ao abandono.
2.
O Padre Dário é um homem corajoso.
Chegou e ofereceu o melhor de si às comunidades por onde passou – Salvada, Quintos, Cabeça Gorda, Almodôvar, Garvão e Santana da Serra.
Vivia e vive para as pessoas.
Escuta-as, encaminha-as, está próximo.
Em Faro, colaborou com as irmãs carmelitas. Sendo polaco, país de grande devoção à contemplação mais radical, foi-lhe natural essa presença junto de freiras em clausura.
O Padre Dário é também conhecido por receber os imigrantes, por os ajudar a encontrarem-se quando as suas vidas são feitas de dúvida e sofrimento.
Começou por estar próximo da comunidade polaca, mas rapidamente disponibilizou-se para acolher quem vinha para trabalhar nos campos do Alentejo, na apanha de fruta, nas colheitas – gente que trabalhava quase sem ser paga, gente vítima de tráficos humanos, gente que vivia encavalitada em casas próprias para mulas e porcos, gente esfomeada, perdida, mulheres abusadas sexualmente, tudo o que possas imaginar.
3.
O país conheceu a triste história de Cabeça Gorda.
Do gang de envolvidos, polícias em conluio com máfias locais, seres humanos sem alma que tratavam como animais de abate os que tinham uma pele diferente, os que eram carne para canhão.
Quando tudo se começou a saber, quando as vítimas ousaram dar a cara e a Polícia Judiciária desmantelou a rede, tudo se tornou claro.
Falaram com os escravos, um a um.
Uma a uma.
E quase todos, quase todas, falaram do seu protetor, do que nunca os deixou cair, do que os recebia a desoras, do que lhes dava sopa quando tinham fome, do que esteve sempre.
O Padre Dário, esse mesmo.
Um tipo que quando lhe perguntaram qual o tamanho da sua coragem, respondeu:
“Eu sou Padre, limito-me a seguir a palavra de Jesus Cristo. O que acontece, o que me acontece depois disso é o menos importante”.
Darius Jan Pestka, assim se chama com todas as letras.
Para nós o Padre Dário, o que nunca falhou a quem todos falharam.
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