O miúdo que mostra o mundo sem nós

Guilherme tem 15 anos, já expôs em vários lugares e a sua máquina fotográfica ajuda-o a observar um mundo como se o ser humano não existisse. Desde os 11 que se embrenhou na floresta.

O miúdo que mostra o mundo sem nós

Guilherme tem 15 anos, já expôs em vários lugares e a sua máquina fotográfica ajuda-o a observar um mundo como se o ser humano não existisse. Desde os 11 que se embrenhou na floresta.

1.

Os pais são professores, mas pouco sabem de Biologia, dos humores da Natureza, do movimento das aves ou do lince da Malcata…

…o pai, Carlos, é catedrático na Universidade Nova, uma sumidade em Estudos Ingleses e Filosofia.

A mãe, Elsa, é professora de português. Dá aulas em Reguengos de Monsaraz e a literatura é o seu spa.

Não foi por influência de um e do outro que o filho Guilherme, hoje com 15 anos, se apaixonou pela ideia de observar o mundo não humano, o mundo dos animais selvagens.

2.

Tira fotografias desde os 11 e já expôs as suas imagens em vários lugares e cidades.

Inscreve-se em formações e festivais, assiste a debates e sonha ir à Austrália ou voltar a observar os ursos do norte de Espanha.

É maravilhoso quando, num tempo em que tantos de nós, miúdos e adultos, nos embrenhamos num vazio que entorpece, haja exemplos assim…

…como o Guilherme Ceia que, pacientemente, observa, tira notas e fotografa o poder, o amor, a morte, a generosidade e a violência de animais que não são como nós.

Têm tudo menos a nossa inteligência.

E perversidade.

Ambição.

Usura.

Cinismo.

3.

Guilherme faz a sua parte.

O planeta é de todos e ele procura resposta para o não-sentido.

Procura-se também, é um adolescente que vive num turbilhão de perguntas, o melhor que se pode desejar.

É fantástico o que vê e nos mostra.

As fotografias dos pássaros.

Dos mamíferos.

Dos anfíbios, répteis, insetos.

Tudo lhe interessa.

Também o ser humano, mas esse virá depois.

Ou então não, ou então o Guilherme continuará na selva a observar o som, as cores e o movimento do mundo sem nós.

Como se não existíssemos.

Como se pudéssemos voltar a nascer e talvez começar de novo.

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