1.
Os pais são professores, mas pouco sabem de Biologia, dos humores da Natureza, do movimento das aves ou do lince da Malcata…
…o pai, Carlos, é catedrático na Universidade Nova, uma sumidade em Estudos Ingleses e Filosofia.
A mãe, Elsa, é professora de português. Dá aulas em Reguengos de Monsaraz e a literatura é o seu spa.
Não foi por influência de um e do outro que o filho Guilherme, hoje com 15 anos, se apaixonou pela ideia de observar o mundo não humano, o mundo dos animais selvagens.
2.
Tira fotografias desde os 11 e já expôs as suas imagens em vários lugares e cidades.
Inscreve-se em formações e festivais, assiste a debates e sonha ir à Austrália ou voltar a observar os ursos do norte de Espanha.
É maravilhoso quando, num tempo em que tantos de nós, miúdos e adultos, nos embrenhamos num vazio que entorpece, haja exemplos assim…
…como o Guilherme Ceia que, pacientemente, observa, tira notas e fotografa o poder, o amor, a morte, a generosidade e a violência de animais que não são como nós.
Têm tudo menos a nossa inteligência.
E perversidade.
Ambição.
Usura.
Cinismo.
3.
Guilherme faz a sua parte.
O planeta é de todos e ele procura resposta para o não-sentido.
Procura-se também, é um adolescente que vive num turbilhão de perguntas, o melhor que se pode desejar.
É fantástico o que vê e nos mostra.
As fotografias dos pássaros.
Dos mamíferos.
Dos anfíbios, répteis, insetos.
Tudo lhe interessa.
Também o ser humano, mas esse virá depois.
Ou então não, ou então o Guilherme continuará na selva a observar o som, as cores e o movimento do mundo sem nós.
Como se não existíssemos.
Como se pudéssemos voltar a nascer e talvez começar de novo.
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