Quando os nossos filhos crescem

Quando os nossos filhos crescem costumamos dizer que nunca deixam de ser os nossos bebés. É bonito, mas falso. Porque eles, quando corre bem, tornam-se uma outra coisa.

Quando os nossos filhos crescem

Quando os nossos filhos crescem costumamos dizer que nunca deixam de ser os nossos bebés. É bonito, mas falso. Porque eles, quando corre bem, tornam-se uma outra coisa.

1.

Não é verdade que os nossos filhos sejam sempre os nossos bebés.

É bonito, mas falso.

Porque eles e elas precisam de nos afastar para seguir viagem sozinhos. Para serem eles próprios, não o nosso prolongamento ou aquilo que desejámos que fossem.

2.

E nessa autodeterminação magoam-nos.

Baralham-nos.

Inquietam-nos por deixarmos de os compreender, por já não serem as crianças que pediam para adormecer na nossa cama.

Passam a dizer coisas que não reconhecemos.

A ser o que não identificamos.

A desejar o que não imaginamos.

A sonhar os seus próprios sonhos…

…que não nos incluem.

3.

Achas que estou a ser pessimista?

Não estou.

Estou a ser verdadeiramente otimista.

Porque quando tal acontece, quando essa violência nos toca, é um bom sinal.

O de que nasceram uma segunda vez.

Não da tua barriga.

Não fruto de uma noite de partilha e amor, mas da sua capacidade de procurar o próprio caminho, único e irrepetível.

Não o nosso.

Não o teu.

O deles.

4.

É um bom sinal.

O melhor que um pai ou uma mãe podem desejar para os filhos.

Que se encontrem.

Que sejam eles próprios em liberdade.

Que marquem o encontro com o seu próprio destino.

Que limpem a estrada de obstáculos – mesmo que nós sejamos os obstáculos…

…um filho pode perder-se por falta de amor, mas também por excesso de amor.

5.

Enquanto pai penso muito nisto.

No que fazer quando tudo parece arder.

Poucas coisas, sei…

E tenho muito mais perguntas do que respostas…

Mas acredito que não há futuro nas relações de pais e filhos sem que eles possam voar.

Sem que possam estatelar-se sozinhos.

Sem que possam levantar-se e prosseguir sem o nosso permanente amparo.

Quando tudo isto acontece, acabam por regressar a nós.

Quando já não somos uma ameaça à sua viagem voltam a abraçar-nos como antes.

A olhar-nos como antes.

E aí sim, tornam a ser os nossos bebés.

Essa é a felicidade mais bonita que podemos desejar – partirmos um dia como pais e mães que ensinaram aos filhos o valor do respeito pela liberdade.

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