1.
É das mais consistentes apresentadoras de televisão em Portugal, mas também das que menos se sabe.
Quando dela falamos vem sempre agregada às duplas com quem trabalhou.
Falou-se dela, mas mais de Manuel Luís Goucha.
Falou-se dela, mas mais de Luís de Matos.
Falou-se dela, mas mais de António Sala.
Fala-se dela, mas mais de Jorge Gabriel.
2.
Ela parece não se importar com isso.
Continua como se nada fosse…
… aliás, quando digo como se nada fosse pode ler-se como se o tempo não tivesse passado, Sónia Araújo parece ter a idade de quando começou.
O mesmo sorriso e simpatia.
O mesmo corpo de miúda.
A mesma curiosidade e entusiasmo independentemente de quem lhe surge à frente.
3.
Sónia é um caso único.
Aparece em nossas casas há mais de trinta anos.
E durante todo esse tempo conseguiu resistir não apenas ao tempo, mas a qualquer tipo de polémica. Nela tudo é na medida certa; a exposição, o protagonismo e até o risco.
Dizem-me ser das pessoas com mais capacidade para o improviso, é uma excelente bailarina e especializou-se na arte de controlar, sem assumir que controla, todos os passos da sua vida.
4.
Nunca lhe falei sobre o assunto, mas quase aposto que foi ela quem travou algumas possibilidades de ser mais, de fazer mais, de ser uma estrela das noites televisivas – isso seria terrível para a sua necessidade de previsibilidade e do Porto, cidade que ama e da qual não abdica.
E dos seus três filhos, claro.
Carolina, Francisco e Tomás.
Uma menina e um par de gémeos que lhe mudaram a vida do avesso.
É mais velha do que eu, o que me deixa sem jeito.
Juram-me que sai à mãe, Maria Antónia que também parece mais nova do que eu.
Não sei se parece, mas não me admiraria.
Obrigado, Sónia.
A estrela que mais se apagou para que outros brilhassem.
Não é para todos e para todas.
Não é mesmo.
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