1.
Um dia acordas e será demasiado tarde.
Deixarás de ter a possibilidade de fazer, de ir, de arriscar, de dizer, de confrontar, de pedir desculpa, de abraçar ou de bater a porta.
São lugares comuns, manifesto irritante de autoajuda, o que quiseres – mas temos confiança, conversamos diariamente, os postais são isso, uma carta que te escrevo todos os dias.
2.
Isto passa a galopar, estamos bem e deixamos de estar, nunca sabemos o que está escrito num qualquer caderno impossível de encontrar.
Um dia acordas e já não terás tempo.
E ficarás com isso colado ao teu movimento.
O beijo que não deste.
A conversa que não tiveste.
O risco que não ousaste.
O projeto que não arriscaste.
3.
Acorda e vai.
Telefona.
Abraça os teus pais, agradece-lhes…
…mesmo que te sintas prejudicado, mal-amado, esquecido.
Não deixes nada por dizer, suaviza o peso que te castiga qualquer possibilidade de descansar, de te apaziguares com o tanto que ainda te resta.
4.
Ou livra-te das ervas daninhas.
Do que te faz mal.
De pessoas tóxicas.
De gente que te puxa para baixo.
De gente que não é boa, que não te convence que podes voar.
5.
Um dia será tarde.
E hoje já não é cedo.
Vai.
Acorda e vai.
Deixa o sol entrar no quarto onde dormes, desperta com a vida a bater-te nos olhos.
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