Está encontrado o primeiro super-herói deste campeonato do mundo das Américas.
Não usou nenhum poder especial, nem nenhuma capa mais ou menos vistosa, mas foi uma espécie de super-homem com luvas porque voou que se fartou e defendeu tudo o que tinha para defender no seu jogo frente à híper e mega favorita Espanha, a campeã da Europa.
Josimar José Évora Dias, 40 anos de idade, nascido na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, mais conhecido no mundo do futebol por Vozinha numa homenagem aos avós que o criaram e com quem viveu na infância.
Jogou na última temporada em Portugal, no Desportivo de Chaves, na 2ª liga, e está atualmente sem clube porque terminou o contrato, num percurso que já passou por Angola, Moldávia, Chipre e Eslováquia.
Num daqueles contos de fadas em que o futebol é pródigo deu-se a conhecer ao mundo numa tarde de junho, no estádio de Atlanta, nos Estados Unidos da América, a terra das oportunidades e, num ápice, sinal dos tempos para medirmos a popularidade de alguém, passou de 50 mil seguidores nas redes sociais para mais de 3 milhões.
No final foi considerado o homem do jogo pela FIFA, não podia ser de outra forma, chorou, porque os heróis também choram, sejam homens ou mulheres, e com toda a humildade do universo lembrou que a mãe não o foi ver à América porque o visto era caro. Talvez agora alguém se lembre de resolver este assunto, porque será apenas justo tratar deste reencontro.
A juntar a toda esta carga emocional ouvi-lo a falar em português, na nossa língua comum que junta comunidades de vários continentes, foi algo que fica para a história das nossas vidas em mais um capítulo desta eterna luta de David contra Golias que faz as delícias de todos aqueles que gostam de desporto, como é o meu caso.
Não sei o que Cabo Verde vai fazer daqui até ao final deste mundial de futebol, mas sei que depois deste empate podem continuar a sonhar em passar à fase seguinte. Também foi para isto que a FIFA aumentou o número de países em competição nos mundiais de futebol.
Enquanto nos deliciamos com esta história de humildade e superação, estamos a contar as horas para a estreia de Portugal que está marcada para amanhã às seis da tarde frente à República Democrática do Congo, a última equipa africana a garantir a presença neste campeonato.
Espero que a delegação portuguesa tenha visto o duelo dos cabo-verdianos com os espanhóis para perceberem que, a este nível, ninguém pode facilitar um minuto que seja. Para já não podem dizer que não estão avisados.
Como não podia deixar de ser, esta contagem decrescente tem vindo a ser marcada pela ida dos jogadores à praia. Nada como uma polemicazinha para animar os nossos dias. Então não é que os homens em vez de estarem a treinar oito horas por dia no relvado e mais oito horas no ginásio, decidiram ir a banhos?
Talvez valha a pena escutar os especialistas que sabem mais desta matéria que a maior parte de nós, quando explicam que tudo isto estava previsto e que é uma boa forma de os jogadores se adaptarem ao clima e à diferença horária de uma forma mais suave.
No entanto, se amanhã as coisas não correrem bem já sabemos quem o país vai culpar. Os mergulhos na quentinha água de Palm Beach, isto é tão certinho como a morte.
Como é que isto se resolve? Fácil! Amanhã a seleção portuguesa só tem é de entrar com o pé direito e ganhar o jogo sem espinhas, como diria o outro.
Esta é a forma mais simples de atirar com estas pequenas polémicas para o único sítio onde elas fazem sentido, para o caixote do lixo!