Umas a dominarem e outras a chegarem

A equipa de futebol feminino do Benfica sagrou-se campeã nacional pela sexta vez consecutiva. No campeonato não deram hipóteses a ninguém. Um domínio avassalador também do FC Porto que ganhou a segunda divisão e subiu à liga principal. Duas faces de uma realidade que ainda tem muito caminho pela frente.

Umas a dominarem e outras a chegarem

A equipa de futebol feminino do Benfica sagrou-se campeã nacional pela sexta vez consecutiva. No campeonato não deram hipóteses a ninguém. Um domínio avassalador também do FC Porto que ganhou a segunda divisão e subiu à liga principal. Duas faces de uma realidade que ainda tem muito caminho pela frente.

Foi um fim de semana de decisões no futebol feminino.

A duas jornadas do fim do campeonato, o Benfica sagrou-se campeão nacional.

Foi a sexta vitória consecutiva das encarnadas que em dezasseis jogos, apenas empataram três, tendo ganho todos os restantes.

O domínio do Benfica tem vindo a ser indiscutível e tem deixado a concorrência a uma distância considerável.

Neste momento, o Sporting é o segundo classificado a oito pontos, enquanto, no terceiro lugar, está o Torreense a catorze pontos.

O desnível entre o campeão e as outras equipas é, como se percebe, enorme e apenas o Racing Power, Sporting e Valadares Gaia conseguiram, no campeonato, roubar pontos às encarnadas.

Veremos o que vai acontecer no clássico de sexta-feira quando o Benfica receber o Sporting, no estádio da Luz, na consagração das hexacampeãs nacionais.

Nas competições domésticas, as encarnadas apenas perderam dois jogos em vinte sete realizados.

Com o Torrense, na final da Supertaça, no início da temporada.

E com o Sporting de Braga para a fase de grupos da Taça da Liga, escorregadela que, mesmo assim, não as impediu de chegarem à final que perderam para o Torreense – outra vez a equipa de Torres Vedras – nas grandes penalidades.

Já a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões foi mesmo outra conversa, porque aqui o nível é muito mais elevado e o Benfica não conseguiu vencer nenhum dos seis jogos. O melhor foram dois empates, com o Twente, dos Países Baixos e com o Paris Saint Germain, de França.

Elevar o nível competitivo da Liga BPI tem de ser o objetivo de todos os protagonistas do futebol feminino em Portugal, com os clubes e a Federação Portuguesa de Futebol à cabeça desse pelotão.

Só assim o campeonato poderá ter mais qualidade e as equipas nacionais, desde logo o campeão Benfica, terem outra capacidade quando jogam nas competições europeias.

As encarnadas voltam a ter entrada direta na fase de grupos da Liga dos Campeões da próxima época, sendo que o segundo e o terceiro classificados do campeonato português também vão discutir esse acesso, mas através do play off.

O fim de semana trouxe ainda uma outra excelente notícia para o futebol feminino que foi a promoção à liga principal da equipa do FC Porto.

Dois anos depois de terem começado este projeto, as azuis e branco chegaram ao escalão principal.

Sabemos que os grandes do futebol português não se metem nestas coisas apenas para competir. Quando chegam a este patamar é para tentarem, pelo menos discutir, os títulos. É, por isso, natural que com a

chegada das portistas o investimento aumente, e, causa efeito, também o nível competitivo do campeonato.

Para já FC Porto e Benfica vão defrontar-se na final da Taça de Portugal, no dia 17 de maio, no Estádio Nacional. Será um momento histórico porque vai ser o primeiro capítulo de uma longa história de rivalidade que vai agora começar também entre as mulheres.

O FC Porto é o último dos grandes a chegar a um patamar onde já estavam Benfica, Sporting, Sporting de Braga, Vitória de Guimarães, Rio Ave e Marítimo. A este grupo pertencem ainda o Valadares Gaia e o Racing Power, cuja aposta passa quase exclusivamente pelo futebol no feminino e também o Torreense que ganhou três troféus nos últimos tempos: Taça de Portugal, Supertaça e Taça da Liga.

Insisto nesta ideia: aumentar a competitividade do campeonato, o número de equipas nas camadas jovens – onde tudo começa – e dotar o futebol feminino de boas infraestruturas – bons relvados de jogo e de treino, balneários em condições, bons equipamentos – são três dos principais desafios que todos têm pela frente.

Isso e o mais importante de tudo: trazer ainda mais mulheres para a prática do futebol, porque as que

estão, apesar do enorme aumento nos últimos dez anos, ainda são poucas.