O labrador especialista em amar chegou finalmente a Portugal

Foi notícia a saga de um cão que não conseguia embarcar para Portugal. Teddy esperou 50 dias para se juntar a Alice, uma menina autista que deixou de sorrir e comer.

O labrador especialista em amar chegou finalmente a Portugal

Foi notícia a saga de um cão que não conseguia embarcar para Portugal. Teddy esperou 50 dias para se juntar a Alice, uma menina autista que deixou de sorrir e comer.

1.

Teddy conseguiu finalmente apanhar o avião.

Foram 50 dias à espera, quase dois meses com saudades da sua menina, da sua Alice, criança que cresceu com ele, que aprendeu a brincar com ele, a sorrir com ele.

Há coisas incompreensíveis.

Compreendo-as, há regras que têm de ser salvaguardas, questões de segurança difíceis de ultrapassar, mas há tanto idiota a apanhar o avião, tanta gente boçal, amoral e ordinária, que…

… valha-me Deus…

… ninguém entende que o maravilhoso Teddy, companheiro de Alice, não tenha conseguido embarcar mais cedo.

2.

Teddy é um cão.

Um labrador especialista em amar.

E Alice é uma menina autista.

Tem 12 anos, não fala e é dependente do seu melhor amigo.

O pai da menina, médico de referência, aceitou um convite para trabalhar em Portugal. Veio com a família, mas Teddy foi barrado.

Alice entrou em pânico.

Gritou e quando deixou de gritar percebeu-se nos seus olhos que o continuava a fazer, agora em silêncio.

3.

A companhia aérea não permitia que o cão pudesse viajar.

Umas semanas depois, nova tentativa falhada. O labrador foi barrado à entrada e obrigado a fazer a viagem no porão da carga.

Ficou outra vez no Brasil e à terceira, com o treinador ao lado, e após contactos diplomáticos, conseguiu finalmente voar para Portugal.

Chegou na manhã do último dia de maio.

4.

Quando viu Alice…

E quando Alice o viu…

… foi mágico.

Os dois abraçados.

Os dois com longos suspiros.

Os dois a voltarem a comer normalmente, os dois a sorrirem e a falarem… sem que nenhuma palavra lhes saísse da boca.

5.

Tantos patetas e “burgessos” a embarcarem e o Teddy a ficar em terra.

Triste.

Vazio.

Com saudades de Alice que, em Lisboa, correu perigo de se afastar definitivamente para um lugar escuro e sem acesso.

Felizmente não aconteceu.

A menina acordou na manhã de dia 31 antes de a porta de casa se abrir. Acordou e levantou a cabecinha como se estivesse à escuta. Como se algum anjo de guarda lhe tivesse soprado ao ouvido.

“Alice, desperta! O Teddy chegou. Podes voltar a ser criança”.

Disponível posteriormente em Spotify, Apple Podcasts, YouTube e RTP Play.