Imagem de A inveja que tenho de João Moura Caetano

A inveja que tenho de João Moura Caetano

Esta quarta-feira, Luís Osório escreve ao artista tauromáquico.

Imagem de A inveja que tenho de João Moura Caetano

A inveja que tenho de João Moura Caetano

Esta quarta-feira, Luís Osório escreve ao artista tauromáquico.

1.

O mundo está em mudança acelerada.

A Inteligência Artificial está a colocar novos problemas.

Da mesma maneira que a Transição Tecnológica e Digital obrigará o mundo a mudar. Dezenas de profissões deixarão de existir, milhões de pessoas em todo o mundo terão de encontrar novos rumos, novas profissões.

Existe uma palavra em inglês: reskill.

Que é o mesmo que dizer: requalificar.

Em cinco ou dez anos deixarão de existir caixas de supermercado, carteiros, bancários disponíveis para nos atender e até seguranças.

2.

E depois há os toureiros e as touradas que, aparentemente, estão em declínio. No ano passado, números oficiais revelados há poucos dias, realizaram-se pouco mais de 150 eventos tauromáquicos, o número mais baixo de sempre.

Nunca houve tão poucas touradas em Portugal e a tendência tem sido essa, todos os anos o número diminui, todos os anos há autarquias que lamentam o sofrimento dos touros, que fazem perguntas, todos os anos há uma maior pressão política e mediática que sublinha o anacronismo da festa brava.

Neste caso estou particularmente à vontade.

Chamo-me Luís Miguel porque a avó Alice era louca pelo Luís Miguel da Veiga, um cavaleiro de se lhe tirar o chapéu.

3.

Mas factos são factos.

A profissão de toureiro parece estar em extinção.

E muitos profissionais da tourada terão a necessidade de se requalificar.

Fazer outras coisas, ganhar a vida de uma outra maneira.

Não me parece que haja motivos para nos preocuparmos, o que é uma excelente notícia.

Diria até que não há nenhuma profissão em extinção que tenha tanta facilidade no seu processo de reskilling.

Basta observarmos o matador espanhol que conquistou a nossa Maria Cerqueira Gomes.

Ou o nosso João Moura Caetano, grande intérprete do toureio a cavalo que, com naturalidade e talento, emergiu na arte nobre da sedução.

Namorou com a Floribella.

Namora com a Bárbara Norton de Matos.

Namoros separados por semanas.

Que se seguiram segundo as revistas da especialidade a outros casos amorosos, sempre com mulheres bonitas e quase sempre mediáticas.

A sua página do Instagram multiplicou os seguidores e as seguidoras. Há quem lhe pergunte coisas nos comentários…

…Ó João isto…

…Ó João aquilo.

Desarmante o seu talento para deixar de ser toureiro e passar a ser influencer.

Como Tom Cruise no “Magnólia” – aconselhar outros homens na arte da sedução.

Muitos parabéns, João.

É um exemplo que servirá para que outros toureiros possam encontrar um desígnio fora dos curros.

Uma requalificação que me deixa invejoso.

Muito invejoso.

Texto e programa de Luís Osório


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