No Terra Média desta semana, entramos no momento de moda mais dramático do ano, a MET GALA. Um desfile de puro luxo, frequentado pelas maiores estrelas e bilionários do planeta. Estre ano, com o patrocínio de Jeff Bezos da Amazon, os protestos saíram à rua e uma autêntica MEDIA BLITZ (tempestade mediática) desabou em cima da MET Gala. Uns desculpam-se, outros estão aliviados por não terem participado.
A tempestade mediática da MET Gala
A MET Gala, evento filantrópico do mundo da moda, sempre foi uma fogueira de vaidades, evento filantrópico, montra de celebridades. Mas os tempos mudaram e a gala de 2026 recebida com um media blitz que surpreendeu todos. A gala deste ano deu-se sob o mote “a moda é arte” (dos temas mais vagos dos últimos anos), depois de temas dedicados à moda negra (2025), a Karl Lagerfeld, a uma antologia da moda e “identidade” norte-americana, ou até ao imaginário religioso na moda. Os co-chairs deste ano foram Beyoncé, Nicole Kidman, Venus Williams e Anna Wintour (primeiro ano sem ser editora da Vogue), mas quem causou mais estilhaço foi a presença do multimilionário Jeff Bezos e da sua mulher, Lauren Sanchéz-Bezos — que, há uns meses, fecharam Veneza para o seu casamento.
O dono da Amazon e do Washington Post foi o principal financiador do evento, tendo doado 10 milhões para a realização da Gala, que serve para financiar o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. O mecenato desta ala do museu é essencial, porque é a única que é exclusivamente auto-financiada, o que justificará o valor do bilhete para o jantar: 140 mil dólares.
Fora das baias do Museu, no entanto, a realidade era outra. Somavam-se protestos à presença de Bezos e muitas foram as celebridades que criticaram os seus pares por desfilar na passadeira “manchada” pela presença do “tech bro”. A polícia deteve, inclusivamente, Christian Smalls, figura conhecida por ter criado o sindicato Amazon Labours Union.
🔗Porque é que a MET Gala apoiada por Jeff Bezos é tão controversa? | The Guardian | 4 de maio
Muito se tem falado nos bilionários se infiltrarem na arte e na cultura. Jeff e Lauren são acusados de comprar seu caminho para a alta sociedade e a política, “apropriando-se” do MET Gala: Anna Wintour defendeu-se, afirmando que Lauren é excelente reforço para o museu e o evento. Num contexto de crise, participantes foram escrutinados como nunca, acusados de ativismo performativo ou cumplicidade envergonhada. Muitos preferiram não comparecer. Nem a lendária anfitriã Wintour se safou. Aproveitando o sucesso de O Diabo Veste Prada, tentou higienizar a sua imagem, originando discussões intermináveis nas redes e na imprensa.
🔗 Será a moda só para bilionários agora? CNN na Fashion Week de Milão | 3 de março
Recomendações