António Barreto não perdeu a esperança. Recorda grandes momentos de progresso em Portugal e na Humanidade, mas quando se interroga sobre a realidade atual a sua esperança «é abstrata» e o seu pessimismo é «concreto».
O sociólogo – que foi professor, investigador, deputado e ministro – assume-se cético por «ter razões suficientes para viver preocupado, inquieto». Acrescenta: «Sou quanto mais cético quanto tenho menos razões para ter esperança». O estado de direito já foi o valor mais importante, mas hoje, quando olha para os principais líderes mundiais, percebe que é a força e o dinheiro que imperam.
Nem Trump, nem Putin, nem Xi Jinping, «nenhum deles se submeterá ao estado de direito», afirma. Barreto considera que, em Portugal, nos tornámos «incapazes de administrar o bem comum» e dá como exemplo a situação do Serviço Nacional de Saúde, que diz estar «empandeirado». Quando olha para as elites, conclui que «não temos tido sorte», que foram sempre «muito dependentes». E justifica: «Não criaram o viço da liberdade, da independência, que é o melhor que uma elite pode ter».