Convocarei mortos e vivos para a penumbra dos Clérigos

O Babell mobilizará, como nunca antes em Portugal, alguns dos nomes da literatura do mundo. Luís Osório terá a honra de encerrar o Festival e aqui anuncia que convocará mortos e vivos.

Convocarei mortos e vivos para a penumbra dos Clérigos

O Babell mobilizará, como nunca antes em Portugal, alguns dos nomes da literatura do mundo. Luís Osório terá a honra de encerrar o Festival e aqui anuncia que convocará mortos e vivos.

1.

Falta uma semana para começar o festival dos festivais literários.

Dentro de oito dias, no nascer de mais um São João, a cidade do Porto receberá nobéis, gurus do pensamento e alguns dos escritores mais populares do mundo.

E também os portugueses.

2.

Rui Couceiro, que aceitou o desafio da Fundação Lello para comissariar o Babell, desafiou-me para escrever um monólogo que encerrará o Festival.

Uma honra e uma responsabilidade.

Na segunda-feira, noite de 29, evocarei mortos e convocarei vivos para estarem comigo no lugar mais perfeito: a Torre dos Clérigos.

Imaginada por um arquiteto italiano para tocar o céu e agradecer à ordem religiosa que socorria os mais miseráveis entre os miseráveis.

3.

Celebrarei a literatura e a alma dos escritores portugueses.

Em alguns casos, negra.

Noutros, luminosa.

Uma alma pode ser negra e, ainda assim, desenhar palavras mágicas, geniais, transcendentes.

Há quem tenha tido vidas horríveis e escrito como se estivesse protegido por anjos.

E há quem tenha feito monstruosidades e escrito obras-primas.

4.

Convocarei mortos e vivos para a penumbra dos Clérigos.

Eça e Camilo.

Mas também Sophia e Herberto.

Camões e Antero.

Mas também Saramago e Lobo Antunes.

Florbela Espanca e Adília Lopes.

Mas também Lídia Jorge e Valter Hugo Mãe.

Pessoa e Mário de Sá Carneiro.

Mas também Vergílio Ferreira e Miguel Torga.

Soeiro Pereira Gomes e Luiz Pacheco.

Mas também Tolentino e Eugénio de Andrade.

Cardoso Pires e Cesariny.

Mas também Daniel Faria e Gonçalo M. Tavares.

5.

No encerramento do Babell, convocarei a esperança, mas também o medo.

O ciúme, mas também a tolerância.

A morte, mas também a vida.

E os personagens também.

A Blimunda e o Baltazar.

O Eusebiozinho e o Carlos da Maia.

O Simão Botelho e a Quina.

O Theodor e o Tomás da Palma Bravo.

O Gaitinhas e o Alberto Soares.

Que seja capaz de o fazer.

De honrar a literatura.

E a vida.

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