1.
Depois da morte do cantor Pedro Barroso o seu filho enlouqueceu.
Ou libertou-se.
Ou assumiu-se.
Ou representa a maior obra de arte da sua vida.
2.
Não sei, tenho dúvidas.
Passei a tê-las.
Há tanta gente a fritar da cabeça, tantos maluquinhos que passaram a dizer coisas e a ter seguidores, tantos loucos que por o serem ganharam eleições com o apoio de milhões de pessoas.
Porque não haveria Nuno de se afirmar como Rei de Portugal?
Porque não haveria de se proclamar como D. Nuno Henriques Barroso de Além-Mar?
Porque não haveria de anunciar a reabertura da Casa Real Afonsina e da continuidade da Dinastia de Borgonha?
3.
Só há duas hipóteses: ou é louco varrido ou a performance é genial.
Não há meio termo.
Se não é uma encenação, se tudo aquilo é verdade, se o homem acredita no que está a dizer, se os que estão ao seu lado a gritar pelos templários estão mesmo convictos…
…então D. Nuno Henriques Barroso é alguém que precisa urgentemente de ajuda – ele e o seu exército de templários formado em Alcabideche.
4.
Mas se for tudo mentira, se for uma performance, um projeto artístico desafiador de um tempo feito de mentiras, ilusões e
perceções, então Nuno Barroso merece o prémio de figura artística do ano.
Seria um alívio e, confesso-te, um alívio também pela memória de Pedro Barroso, seu pai e um enorme escritor de canções.
D. Nuno Barroso…
Sua Alteza…
Quando anunciares que é tudo mentira, passarei a ser teu acólito.
Vamos os dois procurar o Graal.
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