Há algo de que não nos podemos queixar: da competitividade da liga portuguesa.
É certo que nos lamentamos, muitas vezes, de que o futebol jogado dentro das quatro linhas não é grande coisa.
Que a liga está nivelada por baixo.
Acho que todos gostávamos que os espetáculos fossem melhores, com jogadores de maior qualidade, com arbitragens mais competentes, com estádios mais acolhedores, mais seguros e com melhores transmissões televisivas.
Enfim que o ecossistema do futebol nacional, como agora se diz, fosse bastante melhor.
Mas, não sendo isso, para já, possível, não nos podemos esquecer da competitividade do campeonato ao contrário do que se passa em muitas das principais ligas europeias.
Nos Países Baixos, a cinco jornadas do fim, o PSV Eindhoven sagrou-se, ontem, tricampeão nacional. Tem, para já, 17 pontos de vantagem sobre o Feynoord.
Em Espanha, o Barcelona já leva 7 pontos à maior sobre o Real Madrid. Em Itália, o Inter tem 9 pontos de vantagem sobre o AC Milan e na Alemanha, o Bayern também tem 9 pontos de diferença para o Borussia de Dortmund. Em Inglaterra, o Arsenal que amanhã visita Alvalade para a Liga dos Campeões já tem 11 pontos à maior sobre o Manchester City. A surpresa, apesar de tudo, é o Paris Saint Germain que tem, apenas, 4 pontos de vantagem sobre o Lens.
Por cá a jornada, deste fim de semana, voltou a relançar o campeonato, com o empate, 2 a 2, do líder FCPorto, na partida com o Famalicão, e com a vitória do Sporting, em casa, por 4/2 frente ao Santa Clara.
Voltamos a ter comunicados nas redes sociais, por causa de erros dos árbitros que existiram. José Mourinho, na antevisão do jogo de hoje, em Rio Maior, com o Casa Pia, também se atirou aos homens do apito.
É verdade: houve erros e alguns deles difíceis de qualificar e explicar.
Em Alvalade, Ricardo Mangas caiu sozinho, talvez fosse do vento, Gabriel Silva podia ter marcado o segundo golo dos açorianos. Podia, mas, na realidade houve uma falta que ninguém viu e não foi nada disso que aconteceu.
No Dragão, pouco antes do intervalo, Zaidu, nas alturas, atingiu Gustavo Sá com o cotovelo. Seria penálti para os minhotos e o segundo amarelo para o nigeriano. Nessa altura já o FCPorto estava a vencer. O que aconteceria a seguir ninguém de boa-fé nunca o saberá.
São estes erros grosseiros que apenas ajudam a alimentar a suspeição, porque até vimos jogos bem interessantes, nos quais foram marcados 24 golos, o que dá uma média de 4 golos por jogo. E isso ninguém destacou.
Seja como for, os Dragões continuam na frente, com 73 pontos, mas o Sporting está logo atrás, a 5 pontos de distância, tem 68 pontos, mas menos um jogo, a tal partida que lhe falta realizar, referente à jornada 26, com o Tondela e que não está ainda marcada.
Na teoria, porque os campeões nacionais jogam em casa, não será de excluir uma vitória da formação de Rui Borges, mas, como isto ainda é um jogo, nada como esperar pela sua realização, porque, em caso de vitória, os Leões ficam a dois pontos da liderança. Dois pontos apenas!
Continuo a dizer que o FCPorto é o principal candidato ao título, porque ainda tem margem de manobra. Ainda se pode dar ao luxo – um pequeno luxo – de empatar um jogo, e, como não joga o campeonato sozinho, ainda espera escorregadelas alheias.
Mas há o tal fantasma que assombra Francesco Farioli!
Daqui a pouco, quando faltar um quarto para as nove da noite é a vez do Benfica tentar ganhar ao Casa Pia, em Rio Maior.
Se isso acontecer, os encarnados ficarão a cinco pontos da liderança. Também eles poderão voltar a sonhar com o título quando estamos a seis jornadas do fim da Liga Portugal. Algo que muita gente já pensava não ser possível.
Serão 18 pontos que vão ser discutidos minuto a minuto. Jogada a jogada. Golo a golo. Polémica a polémica. E essa emoção ninguém nos vai tirar!