Mortan Hjulmand, o ainda capitão do Sporting, um dos jogadores que estará de saída de Alvalade, neste final de temporada, recorreu, ontem, às redes sociais para falar de “um fim de época dececionante”, ao mesmo tempo que não se escondeu e assumiu a responsabilidade.
Depois de ter posto o dedo na ferida, ainda no relvado, na zona de entrevistas rápidas e, pelo que se sabe, logo a seguir, no balneário, Hjulmand voltou a falar publicamente sobre este assunto para dizer o que se impunha.
Que era um grande jogador já sabíamos, mas esta atitude voltou a mostrar porque foi escolhido, ainda por Ruben Amorim, para ser o capitão de equipa, já que mostra um carácter a que não estamos muito habituados.
Sem tirar nenhum mérito ao Torrense que soube aproveitar a oportunidade, fez pela vida e foi feliz. Era, convenhamos, o Sporting que tinha toda a responsabilidade do seu lado para, pelo menos, fazer mais qualquer coisa para ganhar o troféu, o que acabou por não acontecer. A exibição dos Leões chegou a roçar o patético.
Tal como Hjulmand, também Pedro Gonçalves, um dos principais jogadores do Sporting, recorreu, igualmente, às redes sociais para “pedir desculpa por uma das piores derrotas na história do clube.” O transmontano reconheceu que “é triste ter tão poucos títulos.” Em seis épocas, ganhou sete troféus e perdeu seis finais, o que é, de facto, curto.
Os jogadores assumiram as suas responsabilidades. O treinador Rui Borges também, logo no final do jogo, embora eu estivesse à espera de algo, digamos que mais incisivo, mas cada um é como é. E Frederico Varandas?
O Presidente não tem nada para dizer sobre o que se passou? Foi normal? Os sócios e adeptos do Sporting não mereciam ouvir o que pensa o seu líder sobre uma temporada em que não ganharam nada, e em que perderam a final da Taça de Portugal para uma equipa do escalão secundário? Claro que mereciam! Eu diria que era obrigatório que o fizesse. Nem que fosse numa daquelas entrevistas em ambiente mais ou menos controlado. É um daqueles silêncios que são inexplicáveis e muito ruidosos.
Achei curioso que uma das narrativas que foram postas a correr, logo a seguir ao jogo do Jamor, compara esta derrota àquela que o Sporting, então treinado por Jorge Silas, teve com o Alverca, na temporada 2019/2020, quando os ribatejanos estavam na terceira divisão. Como é óbvio não estamos a falar do mesmo. Uma coisa é ser eliminado na terceira ronda, outra é perder a final. São coisas muito, mas mesmo muito, diferentes.
Já sabíamos que este final de temporada significava o fim de um ciclo que começou a ser construído em 2020, aquando da contratação de Rúben Amorim. O Sporting vai agora entrar em obras, tal como aqueles apartamentos que ao final de uns anos de utilização precisa de uma cozinha e uma casa de banho nova, de resolver uns problemas de infiltrações, mudar os soalhos dos corredores e da sala e de uma pintura nova.
O mestre de obras está escolhido e é com Rui Borges que a obra vai ganhar forma. Zalazar, Pedro Lima, Doumbia e Silas Andersen, uns estão contratados outros quase.
Morita, Quenda e Hjulmand estão certos na porta de saída, mas tudo indica que também Pedro Gonçalves, Trincão e, pelo menos, um dos centrais que têm mercado podem seguir para outras paragens.
É preciso não esquecer que é o fim de um ciclo de sucesso, atendendo ao que era o histórico mais ou menos longínquo do Sporting.
Outro se vai abrir, agora. Uma coisa é certa, os Leões têm agora mais dinheiro, mais organização, uma estrutura mais preparada e, causa efeito, mais opções do que tinham há seis temporadas.
O tempo é de pôr o conta quilómetros a zeros, encher o depósito e voltar a meter o carro em andamento.