1.
A primeira vez que ouvi o mantra havaiano da reconciliação, perdão e apaziguamento, foi em janeiro ou fevereiro de 2009.
A minha mãe tinha morrido, uns meses antes, nos cuidados paliativos do Hospital da Luz.
E eu estava convencido a fazer voluntariado no acompanhamento de pessoas sem esperança de vida.
Fui a uma entrevista e a pessoa que falou comigo perguntou-me se conhecia o Ho’oponopono.
2.
Não conhecia, mas desde essa conversa que aquelas quatro palavras passaram a seguir-me para todo o lado.
Palavras que são um poderoso encantamento para quem está a morrer e tem a descoberto as contas com alguém.
Ou para quem está a ver morrer e não disse tudo o que desejava.
E também para quem acorda atormentado pelo carrego que traz na pele.
3.
São apenas quatro palavras.
Já experimentaste anunciá-las a alguém?
Tens alguém a quem podes dizê-las hoje ou, o mais tardar, amanhã?
São muito simples, mas concentram nelas tantos significados, tantos silêncios, tanto tempo perdido.
4.
Desculpa.
Amo-te.
Perdoa-me.
Perdoo-te.
Apenas isto que é tanto.
Palavras simples por tão complicadas.
Desculpa.
Amo-te.
Perdoa-me.
Perdoo-te.
5.
Um mantra comunitário havaiano.
Há centenas de anos que mestres espirituais, os Kahuna, restauram a harmonia quando existem conflitos ou alguém está nas portas da morte.
Reúnem-se no centro das aldeias e reconciliam-se para que o futuro possa amanhecer.
Levamo-nos demasiado a sério.
Somos máquinas de culpa e deixamos o silêncio ocupar o espaço.
Não o silêncio bom de que precisamos, mas o outro, o que nos impede de estar limpos na consciência.
Desculpa.
Amo-te.
Perdoa-me.
Perdoo-te.
Experimenta.
E verás que controlas as nuvens.
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