1.
Gosto de comer…
…quase tudo.
Até já dediquei um Postal às iscas que, com a idade, passei a adorar…
…o mesmo aconteceu com o esparregado, a cebolada e a pescada cozida.
“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, escreveu Fernando Pessoa para a primeira campanha publicitária da Coca-Cola em Portugal – frase que serve muito bem aqui.
2.
Mas há uma exceção.
Uma exceção que nunca será quebrada pois, jamais em tempo algum, voltarei a provar “Colhões de Choco”.
Parece uma ordinarice ou que estou a tentar fazer-te rir.
Não, escuta-me até ao fim.
Trata-se de uma iguaria de pescadores que é entrada e até prato principal em tascas algarvias e em Setúbal.
Comi uma vez em Quarteira na companhia de Dino D’ Santiago e ainda hoje consigo voltar a sentir o que senti.
3.
Colhões que nem sequer o são.
Trata-se de ovas de choco fritas com coentros, alho, azeite e pimenta. Recordo um molho espesso e o sabor acre e gelatinoso.
Trinquei.
Saboreei e engoli.
Uns segundos depois foi o bom e o bonito.
Senti as entranhas e o Dino também as deve ter sentido pois, da sua desesperada garganta, expulsou uma palavra que tudo explicava.
4.
Repara, eu não sou um piço como diria Bruno Nogueira.
Gosto de caracóis e caracoletas.
Sou sócio de clubes de lampreia.
Venero o sarrabulho e apaixono-me por uma boa dobrada…
…isto é um outro filme.
Se um dia te passarem “colhões de choco” pelo estreito, conta-me o que achaste.
Ou ao Dino.
Partilhemos a desgraça e um abraço solidário.
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