O maior dos punks portugueses nasceu com paralisia cerebral

Esta é a incrível história de Fausto Sousa, o maior de todos os punks portugueses. Tem mais de cinquenta anos, nasceu com paralisia cerebral, mas fundou um dos projetos punk mais icónicos.

O maior dos punks portugueses nasceu com paralisia cerebral

Esta é a incrível história de Fausto Sousa, o maior de todos os punks portugueses. Tem mais de cinquenta anos, nasceu com paralisia cerebral, mas fundou um dos projetos punk mais icónicos.

1.

Não há figura mais forte e inspiradora do que a de Fausto Sousa.

Nasceu com paralisia cerebral e habituou-se ao olhar condoído dos por ele passavam.

Fausto tem hoje mais de cinquenta anos e recorda a infância e a sua condenação sem culpa, a impossibilidade de poder ser qualquer coisa fora da cadeira de rodas ou das paredes protegidas da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra.

2.

Só que o Fausto era especial, sentia uma loucura boa dentro da cabeça, a música transportava-o para uma outra dimensão.

Sons pesados…

…heavy metal, o punk dos Sex Pistols ou dos Clash.

Fausto tornou-se punk e virou o lugar dos condenados do avesso – mobilizou vontades, entusiasmou outros como ele, pediu a terapeutas para o ajudarem a ser o que estava destinado a ser: músico.

3.

A história é incrível.

Dele e do Francisco Sousa, musicoterapeuta da Associação que selou um pacto com o sonho do Fausto.

“Queres mesmo ter uma banda? Vamos embora!”

Com o entusiasmo do terapeuta, Fausto formou um projeto punk com outras pessoas com paralisia cerebral a que juntou dois amigos com deficiência mental.

Nasceram como banda no Natal de 1993.

E os dois, Francisco e Fausto, batizaram o projeto como 5ª Punkada.

4.

Passaram mais de trinta anos e Fausto continua a tocar e a cantar em concertos e, em algumas noites especiais, é convidado para pôr música punk em lugares de culto.

É uma estrela à sua dimensão.

Uma dimensão estratosférica e inigualável.

Em 2021, logo após a pandemia, lançaram o primeiro disco – “Somos Punks ou Não?”.

Seguiram-se vários espetáculos em salas maiores, entrevistas e até um documentário.

5.

Quando lhe perguntam o que sente quando sente.

Ou quando querem saber o peso da paralisia cerebral, da dificuldade de mover-se, do olhar dos outros, nem sempre entende o que lhe perguntam.

Para Fausto, mais do que esse ou qualquer peso, existe a tragédia de uma noite que parecia feliz.

Num concerto na Guarda, antes de serem mais conhecidos, o seu Francisco, sentiu-se mal e tombou como se tivesse sido chamado de urgência por algum emissário de um outro mundo.

Morreu naquela noite e Fausto achou que morrera com ele.

Mas um punk é um punk.

Não poderia sê-lo se desistisse.

Pelo contrário, precisava de transformar a tragédia num motor para ir mais longe.

Francisco não apareceu mais, mas deixou o Fausto e a sua banda de cúmplices.

A Fátima, o Jorge, o Miguel e o Paulo.

Os 5ª Punkada.

Grandes.

Indomáveis.

Inspiradores.

Selvagens.

Absolutamente, Punks.

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