Quando Di Maria nasceu a sua família carregava uma maldição

Esta é a história extraordinária de Ángel Di Maria. Quando nasceu a família carregava uma maldição, mas nenhum mal é para sempre e o argentino domou a tragédia e tornou-se imortal.

Quando Di Maria nasceu a sua família carregava uma maldição

Esta é a história extraordinária de Ángel Di Maria. Quando nasceu a família carregava uma maldição, mas nenhum mal é para sempre e o argentino domou a tragédia e tornou-se imortal.

1.

Ángel foi sempre uma criança hiperativa e feliz.

A família vivia em Perdriel, na cidade argentina de Rosário. Uma vida difícil e de sobrevivência, o pai trabalhava na extração de carvão, a mãe no que aparecia de limpezas e Ángel, com as duas irmãs, Evelyn e Vanesa, iam à escola e ajudavam.

O pequeno gostava de subir às árvores, de correr, fazer amigos e jogar futebol. O seu pé esquerdo parecia falar com a bola.

O pai, ex-jogador do River Plate, inscreveu-o no Rosário Central e assim começou a maravilhosa história de Di Maria.

2.

Ia de manhã à escola, ajudava o pai a alombar carvão à tarde e ia aos treinos quando anoitecia. Não tinha mais de oito anos.

Nas primeiras épocas, o pai Miguel não lhe deu esperanças, parecia existir uma maldição na família e era menos perigoso se Angelito não tivesse ilusões.

Os amigos do pai juravam-lhe que o pai Miguel tinha um talento enorme, mas rebentou com os dois joelhos e nunca conseguiu recuperar das operações, deixou de ser o mesmo jogador e foi o carvão que o salvou da miséria absoluta.

E o pai de Miguel, avô de Angelito, era uma lenda em Perdriel – jogava com os dois pés e de cabeça levantada, o povo da altura proclamava que nunca vira em Rosário alguém assim, mas um infeliz desastre levou-lhe as duas pernas à saída de um comboio.

3.

Di Maria cresceu na ideia de que a tragédia envelhecia ao seu lado, que alguma coisa acabaria por lhe acontecer.

Preparou-se sempre para o pior.

Quando se lesionou pela primeira vez achou que chegara o momento.

Quando jornalistas argentinos o desacreditaram achou que chegara o momento.

Quando a sua filha mais velha nasceu com poucas possibilidades de viver, achou que chegara o momento.

4.

Só que o momento da tragédia anunciada nunca se concretizou.

Com os primeiros três meses de ordenado como profissional comprou uma casa para a família e obrigou o pai a deixar o carvão e a mãe a gozar a vida.

Telefonou-lhes e disse: papá e mamã, não quero que trabalhem mais, quero que viajem, que dancem, que namorem outra vez de mão dada.

5.

Tornou-se um dos jogadores que mais títulos conquistou no futebol.

Campeonato do Mundo.

Copa América.

Jogos Olímpicos.

Ligas dos Campeões.

Campeão no Real Madrid, no PSG, no Benfica.

Teve duas filhas, Mia e Pia, e é para elas que “desenha” um coração com as mãos sempre que marca um golo.

E telefona todos os dias aos pais que continuam a tratá-lo por Angelito, o menino que subia às árvores e ajudava a carregar o carvão com um sorriso de cara suja.

Di Maria é um predestinado.

Um homem forte que chora mesmo quando está alegre. As lágrimas em si são de agradecimento por a vida o ter poupado a uma tragédia que parecia escrita.

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