O Benfica tinha a expetativa de fazer o primeiro jogo oficial da temporada 26/27 apenas no primeiro fim de semana de agosto, quando se jogasse a primeira jornada da Liga Portugal.
Os encarnados esperavam, igualmente, entrar diretamente na fase regular da Liga Europa com o primeiro desafio a ser jogado lá para meados de setembro.
Mas a conquista da Taça de Portugal pelo Torreense mudou tudo e o primeiro jogo está marcado para daqui a um mês frente ao St. Gallen, da Suíça, na 2ª pré-eliminatória da Liga Europa.
Ainda por cima, foram obrigados a mudar de treinador, numa história bem conhecida de todos.
Por tudo isto, esta manhã, começou oficialmente a era Marco Silva, neste que foi o primeiro dia de trabalho do Benfica com a realização dos habituais testes médicos.
Aos 48 anos de idade, num movimento pouco habitual porque quem treina na Premier League e tem a possibilidade de lá continuar raramente regressa, o antigo treinador do Fulham está de volta ao futebol português.
Foram quase 12 anos a trabalhar no estrangeiro, com uma passagem pelo Olympiakos, da Grécia, em que venceu o campeonato, tendo depois seguido para Inglaterra onde, durante 10 anos, treinou o Hull City, Watford, Everton e, por fim, os londrinos, onde ganhou, na temporada 21/22, o título do Championship, a segunda divisão inglesa.
Em Portugal venceu a Taça pelo Sporting, em 2014/2015, mas depois acabou por sair, tudo por causa de um fato de treino. Era Bruno de Carvalho o presidente dos Leões.
Tal como explicou no dia da apresentação, regressa para ser o treinador do Benfica e assim tentar lutar pelo título nacional.
Neste primeiro dia de trabalho, Marco Silva contou com 30 jogadores, sendo que apenas um deles é uma cara nova.
Gabriel Índio, defesa central, atinge a maioridade no mês que vem e jogava numa equipa da Série B do Brasil. Apesar dos elogios que recebeu de Rui Duarte, um dos seus antigos treinadores, não acredito que seja uma aposta para o imediato.
Aliás, neste momento, em relação ao plantel são mais as dúvidas do que certezas.
Na baliza, o ucraniano Trubin vai continuar? Parece ter mercado e preço definido – 40 milhões de euros – pelo que se alguém se chegar à frente o mais certo é sair. Será Samuel Soares o senhor que se segue ou vão ao mercado à procura de um guarda-redes experiente?
E na defesa? Com a saída de Otamendi é certo que os encarnados procuram um central de nível internacional, isto se não sair mais ninguém, já que António Silva tem mais um ano de contrato e, pelo que já disse publicamente não gostou da proposta de renovação. Depois há Tomás Araújo que está no mundial.
Já na esquerda, vai ter de entrar alguém para fazer concorrência ao sueco Dahl, a menos que haja uma aposta na juventude e em José Neto que tem em qualidade o que lhe falta em experiência.
Nas alas, o Benfica também precisa de reforços, até porque não me parece garantida a continuidade de Schjelderup que tem mercado, está no mundial e pode seguir para outras paragens se as propostas foram boas. Mesmo se isso não acontecer Prestiani e Lukebakio não serão suficientes para tantos compromissos.
Por fim, há ainda o ataque em que Pavlidis já veio dizer que não se importava de sair, embora o Benfica lhe tenha fechado essa porta, mas tudo depende da oferta e na Turquia há quem possa pagar.
Uma coisa é certa, sem reforços, com o mundial em andamento – onde os encarnados têm seis jogadores – com o mercado a dez semanas de fechar e com os primeiros compromissos agendados para daqui a um mês, Marco Silva vai ter de se organizar com a prata da casa para começar a apresentar resultados.
Quem não tem cão tem mesmo de caçar com gato!