1.
Existe uma Barbie em cada quarteirão do mundo.
Arrisco afirmar que não há família onde ela não esteja em alguma das suas versões…
…há Barbies provocadoras e angelicais, cientistas e executivas, mais e menos despidas, inspiradores, juízas, cinéfilas, astronautas, médicas, com vestidos de gala e informais, modelos e produtoras, sereias, fadas, princesas, presidentes…
Mas um dos maiores sucessos globais da história do comércio humano nasceu de um segredo que se tentou guardar com todas as chaves mestras do planeta.
2.
É que a Barbie foi inspirada numa prostituta alemã de luxo, mais precisamente uma personagem de banda desenhada que todas as semanas fazia as delícias dos leitores do Bild, um jornal sensacionalista.
Lilli nasceu em 1952, sete anos após a queda da utopia nazi.
Era prostituta de luxo, vendia o seu tempo a clientes milionários, os únicos que o podiam pagar.
O seu sucesso foi tão grande que, em Berlim e Munique, começou a ser comercializada numa versão de boneca fetiche para homens e mulheres com fantasias e imaginação.
3.
Em 1958, a empresária Ruth Handler viu Lilli quando passeava por Berlim.
Um encontro que marcaria a história.
Comprou uma perante o espanto do vendedor de tabaco e playboys, e embarcou-a para LA com uma ideia firme na cabeça.
Tinha uma empresa com o marido e um outro sócio, a Mattel. Quando lhes falou na hipótese de, a partir daquele modelo, criarem uma boneca para as crianças americanas, os dois homens acreditaram que enlouquecera.
4.
O problema não era ser prostituta, mas as mamas – ninguém acreditaria que as famílias americanas comprassem bonecas com mamas para as suas filhas.
Ruth tanto os chateou que conseguiu que um teste se fizesse, em 1959.
O sucesso foi tão grande, tão retumbante, que a Barbie se tornou capa da Time.
Em 1964, a Mattel comprou os direitos de Lilli e apagou durante muitos anos a história e os registos da prostituta de luxo.
Lilli precisava de morrer para que a Barbie nascesse.
Barbie que herdou o nome de Bárbara, a filha de Ruth.
A seguir a empresa deu à luz um rapaz, o famoso Ken, diminutivo de Kenneth, o outro filho da visionária que, numa montra pornográfica em Berlim, vislumbrou o futuro.
Como diria o grande Fernando Pessa, e esta hein?
Ouça o “Postal do Dia” em Apple Podcasts, Spotify e RTP Play.