Há um lugar em Portugal onde não se morre

Há um lugar em Portugal onde não se morre. Ou melhor, onde se morre mais tarde. As pessoas vão ficando, sobretudo as mulheres. Não há nenhum sítio com mais pessoas nascidas antes de 1926.

Há um lugar em Portugal onde não se morre

Há um lugar em Portugal onde não se morre. Ou melhor, onde se morre mais tarde. As pessoas vão ficando, sobretudo as mulheres. Não há nenhum sítio com mais pessoas nascidas antes de 1926.

1.

Não gostava de terminar a minha vida num lar, mas se tiver de ser espero que os meus filhos tenham a decência de me inscrever em Castelo Branco, no Lar da Santa Casa da Misericórdia.

O que lá se passa não sei, mas só pode ser um milagre.

Não existe nenhum sítio com mais utentes centenários – e os números não são um acaso, não são o resultado de uma geração que resolveu brincar à cabra-cega com a morte.

É mais profundo do que isso.

2.

Há anos que lideram a longevidade entre os lares portugueses.

Quem sabe se a culpa é dos ares albicastrenses, da Serra da Gardunha ou de uns perlimpimpins mágicos deixados pelos Templários…

…ou então dos cuidados de médicos, enfermeiros e cuidadores do lar com mais gente nascida antes de 1926.

3.

Falei com uma cuidadora peruana que chegou há um ano a Castelo Branco.

Chama-se “Jeny”, tem 46 anos e era advogada em Lima.

Contou-me da sua “menina” mais velha, a Dona Luísa Carmona que, aos 105 anos, se movimenta sem qualquer ajuda andarilha.

Quando lhe perguntam pelo segredo, Luísa responde que a única razão para estar viva é a de não existir maldade no seu coração.

Bonito, não é?

Eu acho.

4.

Fiquei com vontade de a conhecer.

E com ganas de lhes tocar à porta e passear por este lugar onde as pessoas resistem à viagem.

A maioria mulheres, é preciso que se diga.

Os homens não resistem tanto…

…são mais fraquinhos.

5.

Era isto.

Agradeço também em teu nome aos que lá trabalham, aplaudo a sua generosidade e saúdo o profissionalismo com que tratam os nossos mais velhos.

Reservo já o meu quarto e peço-te que o segredo fique aqui.

Que Trump ou Putin não saibam que há um lugar assim.

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