Miguel Carvalho, o jornalista que radiografou o Chega

“Por Dentro do Chega” chegou às livrarias. Miguel Carvalho abalou os alicerces do partido de André Ventura, mas fez mais: provou que o jornalismo está vivo.

Miguel Carvalho, o jornalista que radiografou o Chega

“Por Dentro do Chega” chegou às livrarias. Miguel Carvalho abalou os alicerces do partido de André Ventura, mas fez mais: provou que o jornalismo está vivo.

1.

Encontrei muitos jornalistas nas ruas por onde fui passando.

Bebi copos, troquei ideias e objetivos, fiz promessas, cumpria-as e quebrei-as, fiz amizades e provoquei ódios, ajudei e fiz cair…

…ah, o jornalismo e as redações…

…o lugar onde fui mais feliz e onde me tornei íntimo da melancolia.

2.

Encontrei grandes figuras.

Aprendi com algumas delas, com outras não.

É uma treta esta coisa de acharmos que os grandes são grandes em tudo o resto, até no caráter.

Não é verdade.

No jornalismo, como em qualquer profissão ou arte, há quem seja um gigante no que faz e um medíocre no que passa aos outros.

3.

Volto ao jornalismo, um lugar difícil, complexo, intenso, absoluto.

Numa redação joga-se tudo.

Quando o jornalismo é à séria vive-se a cem à hora, perdemo-nos e encontramo-nos. Também há quem nunca se perca ou os que se perdendo nunca mais se tornam a encontrar.

Há de tudo como nas boas farmácias.

4.

Quero falar-te do jornalista português que mais admiro entre os da minha geração.

Chama-se Miguel Carvalho.

Um caçador de estórias à antiga.

Rigoroso, obstinado, obsessivo.

Um investigador que nestes trinta anos não perdeu a curiosidade.

Ou a coragem.

Ou se conformou com a ideia de que tinha de se moldar para ter sucesso.

5.

Miguel Carvalho acaba de editar “Por Dentro do Chega”, resultado de vários anos de investigação.

Fê-lo sabendo das consequências que o livro poderia ter na sua vida.

Um livro esmagador e uma lição de jornalismo de investigação.

Além do mais bem escrito – perdemo-nos encantados no seu modo de dizer como já nos perdêramos na sua extraordinária biografia de Amália Rodrigues.

6.

Miguel Carvalho é também uma pessoa inteira.

De uma generosidade que nos pasma pela diferença.

Uma vez perguntei-lhe qualquer coisa sobre uma figura que me interessava e o Miguel enviou-me dezenas de páginas com as informações que tinha.

Todas as que tinha.

“Usa como quiseres, Luís. As notas passam a ser tuas”.

É difícil encontrarmos alguém assim.

É um dos grandes, um dos maiores.

Do tamanho dos imortais que conheci e com quem trabalhei.

Não são assim tantos.

Não são mesmo assim tantos.

Ouça o “Postal do Dia” em Apple Podcasts, Spotify e RTP Play.