O primeiro homossexual a ser governante é um tipo luminoso

Carlos Moedas lamentou que André Caldas tivesse ganho a votação para presidente da Assembleia Municipal de Lisboa. Mas fez mal porque foi o melhor que lhe podia ter acontecido.

O primeiro homossexual a ser governante é um tipo luminoso

Carlos Moedas lamentou que André Caldas tivesse ganho a votação para presidente da Assembleia Municipal de Lisboa. Mas fez mal porque foi o melhor que lhe podia ter acontecido.

1.

O país político surpreendeu-se, a começar por Carlos Moedas, com a vitória de André Caldas na eleição para a presidência da Assembleia Municipal de Lisboa.

Não era expetável que acontecesse, mas os comunistas preferiram votar em André a absterem-se e a liderança da cidade não será assim, de um ponto de vista formal, absoluta para o presidente da Câmara.

Moedas terá como árbitro um socialista.

2.

Gostei de o saber, mas não por motivos partidários – era-me absolutamente indiferente se o cargo era ou não ocupado por alguém da oposição – prefiro até que o resultado das eleições em

Lisboa, e em todas as outras câmaras, seja respeitado e que os presidentes possam governar.

A questão não é essa, a questão é André Caldas ser o que ganhou.

Talvez não o conheças e é apenas essa a razão para te escrever este postal.

3.

André Moz Caldas é uma pessoa grande, um dos mais preparados e inteligentes políticos que conheço.

É uma boa notícia para Carlos Moedas pois terá perto de si alguém que o poderá ajudar.

4.

André toca piano só para os amigos.

Mas toca magistralmente.

Não tenho a certeza, mas acho que aprendeu sozinho a fazê-lo ou com aulas que foi tendo entre os compromissos da vida.

Nasceu em Lisboa, numa família que lhe exigia bons resultados, sendo um privilegiado o mínimo que podia fazer era ser o melhor que conseguisse.

E fê-lo.

A ideia era ser médico, mas entrou em Medicina Dentária. E complementou com o curso de Direito.

Ao mesmo tempo foi estudando uma coisa e outra.

Licenciou-se numa coisa e noutra.

Completou o mestrado numa coisa e noutra.

E é quase doutorado em Direito.

Dentista e jurista.

E depois docente universitário onde é professor em História do Direito.

5.

Os alunos ouvem-no com atenção.

É brilhante, metódico e obsessivo.

Na política foi chefe de gabinete de Mário Centeno nas Finanças. Centeno, por natureza e feitio um perfecionista, chegou a dizer-me que pelo André Caldas passaria o futuro.

Não sei se passará, mas sei que dificilmente falha o que tem de cumprir.

Depois de Centeno, ocupou o lugar de secretário de Estado da presidência do Conselho de Ministros, no governo de António Costa – era o único dos secretários a ter assento nos conselhos de ministros.

E foi o primeiro membro de um governo em Portugal a exercer o cargo estando casado com uma pessoa do mesmo o sexo.

Um dia perguntaram-lhe se era uma limitação ser homossexual. Se sofria com os comentários ou com algum olhar que o tentasse menorizar.

André respondeu com uma outra pergunta:

– Como me poderia sentir diminuído quando quem o faz é que se diminui?

Parabéns a Carlos Moedas.

Poderá, se o quiser, aproveitar a proximidade de André para se cumprir.

Eu não hesitaria.

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