1.
Conheci vários professores neste ano letivo.
Professores de matemática, de português, responsáveis por bibliotecas escolares, gente muito dedicada.
Escrevo bastante sobre ser professor, a mais bela de todas as profissões.
Talvez hoje a mais difícil.
Pela indiferença social, pela indiferença de uma parte importante dos alunos viciados no mundo virtual e na indústria das certezas – como seduzir os miúdos para a importância da dúvida, para a procura da verdade e para a curiosidade, quando o mundo lhes pede o contrário?
2.
Mas é por isso que, mais do que nunca, ser professor é a mais nobre de todas as profissões.
A mais utópica também.
Inventar um mundo que agora não existe, mas que precisamos que exista.
O contrário de distopia.
A utopia de Thomas More.
3.
A esperança de que um professor possa oferecer uma hipótese de mais caminho, de mais liberdade de pensamento, de um modo de pensar alternativo ao adormecimento, à desistência.
A esperança de que o professor possa ensinar o que está para lá dos números.
O que está para lá dos livros.
O que está para lá das matérias.
4.
A esperança de que o professor deseje o impossível.
Ser o que provoca o pensamento.
O que se preocupa, o que empresta um livro, o que propõe uma série, o que estimula.
A esperança de que o professor não se deixe ir abaixo com as derrotas e fracassos – porque cada vitória, cada vida que se interpela pode significar o futuro da humanidade e do nosso país.
5.
Ser professor é a primeira de todas as profissões.
A que dá origem a todas as outras.
A que pode moldar tudo, até a forma de amarmos.
Sem dúvida, a maneira como nos comprometemos com o mundo.
Boas férias a cada carregador de utopia.
A cada professor ou professora.
Vamos caminhar.
Voltar à pista.
O país precisa.
Precisamos todos.
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